O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) enviou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) as autorizações para divulgar seus dados bancários e telefônicos em resposta ao desafio feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no último final de semana. Além de liberar as informações, Flávio cobra que o petista revele os gastos do cartão corporativo da presidência e os registros de visitas ao gabinete presidencial.
Na petição encaminhada à Corte, Flávio argumentou que a divulgação das despesas pagas com dinheiro público deve ter prioridade no debate sobre transparência entre os candidatos. Ele ressaltou que, segundo uma auditoria do Tribunal de Contas da União, 99,55% dos gastos do cartão corporativo foram classificados como sigilosos ou reservados entre janeiro de 2023 e abril de 2025.
Flávio também solicitou a divulgação dos registros de pessoas que visitaram o gabinete presidencial, considerando que essas informações são públicas. Durante a campanha eleitoral, a oposição a Lula tem cobrado explicações sobre uma reunião do presidente com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do liquidado Banco Master, e sua relação com a lobista Roberta Luchsinger, que seria sócia do filho de Lula, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
“Basta cumprir a promessa e abrir o cartão corporativo e as visitas do gabinete, para que o eleitor saiba, antes de domingo, qual tratamento tem sido dado ao numerário público”, declarou Flávio, relembrando a promessa de Lula, feita durante a campanha de 2022, de acabar com o sigilo de cem anos no primeiro dia de governo.
A abertura dos sigilos de Flávio ocorre um dia após a campanha de Lula entregar ao TSE documentos relacionados aos sigilos bancário e telemático do presidente. A equipe do petista havia solicitado que a Justiça Eleitoral atuasse como intermediária na divulgação das informações.
O vice-presidente do TSE, André Mendonça, decidiu que os próprios candidatos podem autorizar a divulgação de seus dados, sem necessidade de autorização prévia da Justiça Eleitoral. Segundo o magistrado, os sigilos bancário, fiscal e telefônico protegem seus titulares, que podem abrir mão dessa garantia mediante consentimento.
A campanha de Flávio também convocou Deltan Dallagnol, ex-procurador da Operação Lava Jato e senador eleito pelo Paraná, para examinar os documentos apresentados por Lula. Dallagnol afirmou que pretende verificar se o material está completo e declarou que o presidente é “especialista em ocultar patrimônio”. Ele focará a análise principalmente no período compreendido pelas investigações da Lava Jato.
Opinião
A abertura dos sigilos e a cobrança por transparência são essenciais em um cenário político onde o eleitor exige clareza sobre o uso do dinheiro público.





