Com investimentos da ordem de R$ 1,2 bilhão, as obras do ramal ferroviário de 47 quilômetros ligando a fábrica de Celulose da Arauco à Ferronorte entraram em uma nova fase nesta semana. A instalação dos primeiros dormentes, estruturas de concreto sobre as quais serão afixados os trilhos, marca a penúltima etapa da construção da ferrovia.
A previsão é de que sejam instaladas em torno de 95 mil peças, já que a distância entre uma e outra normalmente é de 50 a 60 centímetros. Cada dormente pesa 400 quilos e tem 2,80 metros de comprimento. Para o transporte destes dormentes, são necessárias cerca de 800 viagens de caminhão bi-trem.
Desapropriações e Controvérsias
A instalação começou nas imediações da fábrica, onde haverá em torno de nove quilômetros de trilhos para estacionamento e manobra dos comboios. Este é o primeiro projeto ferroviário após 27 anos em Mato Grosso do Sul, e os trilhos serão instalados às margens das rodovias MS-377 e MS-240, atravessando exclusivamente áreas rurais de Inocência. A implantação do ramal exigiu a desapropriação de terras em 40 propriedades, totalizando cerca de 400 hectares na entrada das fazendas, e cerca de duas dezenas de proprietários contestam na Justiça o valor das indenizações.
Expectativas e Empregos
Conforme o cronograma da chilena Arauco, a ferrovia estará concluída antes do final do próximo ano, quando deve ser ativada a fábrica, que prevê a produção anual de 3,5 milhões de toneladas de celulose. Para levar toda essa produção até o porto de Santos, será necessária a partida diária de um comboio com 100 vagões, cada um transportando até 96 toneladas de celulose.
Além do investimento na ferrovia, a Arauco destinou mais R$ 1,4 bilhão na aquisição de 26 locomotivas e 721 vagões para o transporte da celulose. O investimento total na fábrica é de R$ 25 bilhões e cerca de 85% dos trabalhos, iniciados em julho de 2024, estão concluídos.
Atualmente, o canteiro de obras conta com cerca de 14 mil trabalhadores, e após a ativação, a indústria deve gerar cerca de 6 mil empregos diretos e indiretos permanentes. Por conta de uma lei municipal, os trabalhadores da fábrica terão de morar na área urbana de Inocência, a 50 quilômetros do parque industrial. Parte deles vai residir nas 600 casas que estão sendo construídas em uma área de 43 hectares doada pelo poder público.
Opinião
A construção da ferrovia da Arauco é um passo importante para o desenvolvimento econômico da região, mas as desapropriações e as contestações judiciais revelam desafios que precisam ser enfrentados com transparência e diálogo.





