O Tribunal de Contas da União (TCU) estabeleceu um prazo de 240 dias para que o governo federal tome uma decisão sobre o futuro da usina nuclear Angra 3. A obra está paralisada desde 2015 e a indefinição em torno do projeto já gerou prejuízos significativos para a Eletronuclear e outras empresas do setor.
De acordo com o TCU, a manutenção da obra parada custa cerca de R$ 1 bilhão por ano, considerando as despesas operacionais e financeiras. O governo precisará atualizar estudos técnicos e apresentar documentos que fundamentem a decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Investimentos e prejuízos
Até o momento, aproximadamente 66% da usina foi concluída, com investimentos totais que somam cerca de R$ 12 bilhões. Para finalizar a obra, seriam necessários mais R$ 23,9 bilhões, conforme estudos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A situação financeira da Eletronuclear é alarmante, com um prejuízo de R$ 142 milhões registrado em 2025 e uma dívida líquida ajustada superior a R$ 7,25 bilhões. A Indústrias Nucleares do Brasil (INB), que fornece combustível para as usinas Angra 1 e Angra 2, também enfrentou dificuldades, reportando um prejuízo de R$ 156 milhões no mesmo ano, em parte devido aos atrasos nos pagamentos da Eletronuclear.
Pressão por decisão
O TCU já havia manifestado sua preocupação em agosto, ao determinar a abertura de um procedimento para acompanhar a situação de Angra 3. Ministros criticaram os altos custos da indefinição e exigiram uma posição clara do governo sobre a continuidade ou o abandono do projeto.
Opinião
A situação de Angra 3 é um reflexo da necessidade urgente de decisões no setor energético brasileiro, que enfrenta desafios financeiros e estruturais significativos.





