O dólar à vista apresentou valorização frente ao real nesta terça-feira, após o feriado de Nossa Senhora Aparecida. O fechamento foi em alta de 0,71%, cotado a R$ 5,0198, com mínima do dia em R$ 4,9903 e máxima em R$ 5,0282. O euro comercial também avançou, subindo 0,70%, a R$ 5,6211.
Os operadores do mercado atribuíram essa dinâmica à realização de lucros e à incerteza do cenário externo, marcado pela guerra no Irã e o impacto do preço do petróleo na inflação. Além disso, as medidas do governo e as pesquisas eleitorais que indicam um fortalecimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentaram a cautela, pressionando o prêmio de risco fiscal dos ativos domésticos.
O real foi uma das moedas mais fracas do dia, ao lado do peso mexicano e do rublo russo. A pressão externa coincidiu com a realização de lucros, especialmente com as pesquisas favoráveis a Lula. O programa de perdão de dívidas de MEI (Microempreendedores Individuais) também foi mencionado como um fator que impactou negativamente o câmbio.
A Pictet Asset Management comentou sobre a expectativa de consolidação fiscal após as eleições, mas destacou a incerteza em relação à orientação econômica do candidato Flávio Bolsonaro, que promete privatizações enquanto recua em reformas previdenciárias.
O Goldman Sachs fez uma revisão significativa em suas projeções para a taxa de câmbio, cortando a previsão do dólar de R$ 5,20 para R$ 4,70 em três meses, e de R$ 5,00 para R$ 4,80 em doze meses. A forte reação do mercado no primeiro pregão após as eleições, quando o dólar caiu 4%, reflete uma mudança nas expectativas para políticas econômicas mais favoráveis ao mercado.
Embora o mercado esteja otimista com a moeda brasileira, o Goldman Sachs alerta que saídas expressivas de recursos podem impactar o câmbio a partir do fim de novembro, especialmente se as políticas econômicas não atenderem às expectativas.
Opinião
A expectativa em torno das eleições e as reações do mercado de câmbio demonstram a relação direta entre política e economia, evidenciando a importância de decisões que podem afetar o futuro econômico do Brasil.





