A comunidade indígena da Aldeia Pirajuí, em Paranhos, localizada a 465 km de Campo Grande, decidiu apoiar a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026. Além disso, a comunidade orientou apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL) a não entrarem na reserva para realizar campanha eleitoral.
Segundo a vice-cacique Ester Salina, a decisão foi tomada pelos próprios moradores da aldeia, com o objetivo de defender os direitos dos povos indígenas e o território tradicional. “Primeiramente, nós, povos indígenas, entendemos perfeitamente que a Constituição está em risco, ao distinguir os nossos direitos dos artigos 231 e 232. Sendo assim, a nossa comunidade entendeu muito bem quais riscos estamos correndo se os nossos direitos forem engolidos”, afirmou Ester em entrevista ao Correio do Estado.
Decisão da Comunidade
A vice-cacique destacou que a posição da comunidade também considera propostas associadas ao candidato da direita e os possíveis impactos sobre os direitos indígenas, caso ele seja eleito. Ela não detalhou, no entanto, quais propostas motivaram essa preocupação.
Em comunicado divulgado pela comunidade, a Aldeia Pirajuí declarou estar “fechada com o Lula no 2º turno” e pediu que pessoas interessadas em fazer campanha para Flávio Bolsonaro evitem entrar na reserva. “Em respeito à decisão soberana da comunidade e pela segurança das pessoas que queiram fazer campanha para o 22, orientamos que evitem entrar na Reserva Indígena Aldeia Pirajuí”, diz o texto, que também solicita respeito à decisão dos moradores.
Autonomia da Comunidade
Ester Salina ressaltou que o posicionamento não foi imposto pelas lideranças nem resultado de interferência de grupos ligados aos dois lados da disputa política. Segundo ela, a comunidade deliberou sobre o apoio, e as lideranças tiveram de respeitar a escolha. “Essa decisão foi colocada pela comunidade de Pirajuí. E nós, como liderança, tivemos que acatar a decisão da comunidade”, declarou.
A vice-cacique também negou influência externa na definição do posicionamento eleitoral, afirmando que a comunidade tem autonomia suficiente para decidir sem intervenção de ninguém dos dois lados. “Não teve influência de ninguém, nem da direita nem da esquerda. Só estamos defendendo o nosso direito e território”, afirmou.
Riscos e Segurança
A orientação divulgada pela aldeia é direcionada à entrada de pessoas que pretendam fazer campanha para o candidato do PL. O comunicado não detalha como a medida será aplicada nem menciona eventuais episódios anteriores envolvendo representantes de campanhas eleitorais.
Ester acrescentou que a localização da aldeia na fronteira seca e a falta de segurança também influenciaram a decisão. Segundo ela, moradores indígenas enfrentam ameaças e intimidações durante os períodos eleitorais. “E mais um fato importante que também influenciou a comunidade a tomar essa decisão: nossa aldeia está localizada na fronteira seca, onde não temos segurança suficiente. Nós sabemos o perigo que nossos eleitores correm a cada eleição, por meio de ameaças e intimidações dos não indígenas”, finalizou.
Opinião
A decisão da Aldeia Pirajuí é um exemplo de como comunidades indígenas buscam se proteger e afirmar seus direitos em meio a um cenário político desafiador.





