Os municípios brasileiros, que recebem apenas 18% do total de tributos arrecadados, não podem mais se dar ao luxo de deixar seus recursos financeiros saírem de suas economias locais. Essa é a mensagem que a Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) têm transmitido aos prefeitos: é essencial que parte do caixa das prefeituras seja investido em cooperativas de crédito.
A Lei Complementar 161/2018 possibilitou que as cooperativas captassem recursos municipais, uma mudança que já trouxe um acréscimo de R$ 4 bilhões para esse setor. Em Minas Gerais, o número de municípios com cooperativas de crédito aumentou de 107 para 484 entre 2021 e 2023, e as disponibilidades de caixa operadas por essas instituições saltaram de R$ 299,8 milhões para R$ 748 milhões.
O impacto das cooperativas na economia local
As cooperativas de crédito têm se mostrado uma alternativa eficaz para que os prefeitos promovam o desenvolvimento local. Segundo Eduardo Queiroz, gerente de Relações Institucionais da OCB, quando os recursos são aplicados em cooperativas, eles circulam dentro do próprio município, ao contrário do que ocorre com os bancos convencionais, onde o dinheiro pode ser direcionado a outras regiões.
Em 2025, a expectativa é que o volume de depósitos municipais no segmento cooperativo alcance R$ 4,33 bilhões, um aumento significativo em relação aos anos anteriores. Atualmente, 356 cooperativas mantêm relacionamento financeiro com 5.507 entes municipais em todo o Brasil.
Desafios e oportunidades
Apesar do crescimento, ainda existem cerca de mil municípios onde as cooperativas de crédito estão presentes, mas não estabelecem vínculos financeiros com o poder público local. Eduardo Queiroz ressalta a importância de aproximar esses dois mundos, destacando que o potencial de captação pode dobrar em poucos anos, criando um oceano azul de oportunidades.
Em Minas Gerais, as cooperativas estão presentes em 720 das 853 cidades, e em 84 delas, são a única opção de instituição financeira local. Ronaldo Scucato, presidente do Sistema Organização das Cooperativas de Minas Gerais (Ocemg), enfatiza que a retenção de riqueza no município é um dos principais ganhos da atuação das cooperativas, que ajudam a manter a renda circulando localmente.
Opinião
A crescente adesão das cooperativas de crédito em Minas Gerais é um reflexo da necessidade de fortalecer a economia local, e os prefeitos têm um papel crucial nessa transformação.





