Na noite de 30 de setembro de 2023, autoridades bolivianas prenderam o procurador-geral da República, Roger Mariaca. Sua prisão ocorre em meio a uma investigação sobre Fernando Cerimedo, um operador digital argentino acusado de tentativa de feminicídio e tráfico de drogas.
Cerimedo, que possui vínculos com grupos de direita na América Latina e é próximo da família Bolsonaro, ficou notório no Brasil em 2022 ao participar de uma campanha para desacreditar o sistema eleitoral brasileiro. Ele também foi ex-assessor de presidentes da Bolívia e da Argentina.
Outras prisões e revogações de vistos
Além de Mariaca, outras 13 autoridades bolivianas foram presas, incluindo o ex-ministro Eduardo Del Castillo e o procurador do departamento de Santa Cruz, Alberto Zeballos. Ambos tiveram seus vistos para os Estados Unidos revogados em 28 de setembro de 2023, sob acusações de corrupção e narcotráfico feitas pela administração Trump, sem apresentação de provas.
Após as prisões, uma transmissão ao vivo do Ministério Público boliviano denunciou o que chamaram de “sequestro” de Mariaca e Zeballos, afirmando que foram detidos sem mandado judicial no Aeroporto de Viru Viru.
Acusações e reações do governo
O ministro do governo boliviano, Marco Antonio Oviedo, acusou Mariaca de liderar uma organização criminosa ligada ao tráfico de drogas, afirmando que sua atuação transformou o Ministério Público em uma entidade voltada a proteger o narcoterrorismo. Imagens divulgadas mostraram policiais retirando pacotes de dinheiro de um fundo falso relacionado à residência de Mariaca.
Mariaca, nomeado em 2024 durante o governo de Luiz Arce, deveria cumprir um mandato de seis anos. Após a revogação de seu visto, ele sugeriu que essa medida era uma retaliação às suas investigações, especialmente sobre o caso Cerimedo.
Discussões no Congresso
O Congresso da Bolívia convocou uma sessão para discutir a situação do Ministério Público em 5 de outubro de 2023, em meio a um clima de tensão e incerteza sobre as implicações políticas e jurídicas das prisões.
Opinião
A situação envolvendo Roger Mariaca e as prisões de autoridades bolivianas destaca as complexas interações entre política, narcotráfico e a influência externa na Bolívia, levantando questões sobre a autonomia do sistema judiciário.





