Uma doença imprevisível. É assim que a médica dermatologista da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), Enilde Borges Costa, define a alopecia areata. No mês dedicado à doença, que acomete cerca de 2% da população mundial, segundo a SBD, a Agência Brasil traz histórias de pacientes que convivem com a queda de cabelo. A alopecia areata é uma doença autoimune, caracterizada pelo ataque do organismo ao folículo piloso, e provoca episódios de queda de cabelo que podem se manifestar em qualquer etapa da vida.
A alopecia areata pode aparecer de três formas: a queda do cabelo em pequenas áreas do couro cabeludo; a alopecia areata total, quando há queda do cabelo de todo o couro cabeludo; e a alopecia areata universal, quando a pessoa perde todos os pelos do corpo. O diagnóstico é feito no próprio consultório médico, com o exame clínico das áreas sem pelos.
Histórias de superação
A revisora de livros Beatriz Santos convive com a alopecia desde 2008 e mantém o perfil @debemcomaalopecia no Instagram. Ela conta que os primeiros médicos pelos quais passou relacionaram a queda de cabelo a questões emocionais, o que a fez sentir-se incompreendida. Em 2012, Beatriz perdeu todo o cabelo, incluindo pelos do corpo, e desde então vive com a alopecia areata universal.
Beatriz passou por tratamentos dolorosos com corticoide, que trouxeram efeitos colaterais, como a perda de densidade óssea. Após descobrir que estava com osteopenia, decidiu parar o tratamento. Hoje, ela se sente mais confortável com sua condição e acredita que a vida se expande para outros lados, além da alopecia.
A dermatologista Enilde Borges Costa criou o Alopecia Areata Grupo de Apoio (AAGAP) para acolher pacientes que buscam suporte emocional. Juliana Fernandes, que convive com a alopecia areata universal há mais de 20 anos, também participa do grupo e ajuda no acolhimento de novos membros. Juliana enfrentou a queda de cabelo desde os 10 anos e, após muitos tratamentos, decidiu aceitar a sua condição sem disfarces.
Impactos emocionais e apoio
O grupo de apoio tem se mostrado essencial para muitos pacientes e suas famílias. A psicóloga Regina Ramos é uma das mães que busca apoio para seu filho, que teve o primeiro episódio de queda de cabelo aos 8 anos. A família prioriza a saúde do jovem e trabalha os impactos emocionais da perda do cabelo.
Opinião
As histórias de Beatriz Santos e Juliana Fernandes mostram a importância do apoio emocional e da compreensão sobre a alopecia areata, destacando que a aceitação pode levar a uma vida mais rica e plena.





