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Governo Federal herda R$ 204 bilhões em concessões de infraestrutura atrasadas

Governo Federal herda R$ 204 bilhões em concessões de infraestrutura atrasadas

O próximo governo federal herdará uma extensa carteira de concessões de infraestrutura com investimentos projetados em, ao menos, R$ 204 bilhões. No entanto, essa herança é marcada pelo adiamento de grandes projetos para 2027 ou anos posteriores, o que gera preocupação em relação ao escoamento de produção, especialmente no Centro-Oeste.

Entre as obras represadas, destacam-se empreendimentos vitais para Mato Grosso do Sul, como a relicitação da Ferrovia Malha Oeste e o pacote de concessões hidroviárias no País. No setor ferroviário, a carteira de projetos repassada ao próximo mandato soma R$ 154,9 bilhões.

Leilões e Atrasos

O planejamento inicial previa oito leilões para este ano, mas apenas um deve ser realizado. Apesar dos atrasos gerais na malha nacional, a Ferrovia Malha Oeste, que conecta São Paulo a Mato Grosso do Sul, permanece na lista prioritária do governo para publicação de edital. O ministro dos Transportes, George Santoro, destacou a complexidade do processo de concessão, afirmando que não haverá pressa na publicação dos editais.

A logística do Centro-Oeste também aguarda a evolução dos transportes fluviais, uma vez que todas as cinco concessões hidroviárias previstas foram adiadas para ciclos futuros, comprometendo a previsão de aportes e o cronograma de leilões.

Investimentos em Rodovias e Portos

Os atrasos não se restringem ao setor ferroviário. Das 13 licitações rodoviárias prometidas para este ano, a expectativa é de concluir apenas sete, transferindo R$ 28,8 bilhões em investimentos para a futura gestão. Nos portos, apenas três das 18 concessões anunciadas foram realizadas até setembro, deixando mais de R$ 20,8 bilhões em aportes travados para depois deste ano.

Fatores como a suspensão de estudos e a frustração de acordos no Tribunal de Contas da União (TCU) explicam o gargalo das concessões. O especialista em infraestrutura, Maurício Portugal, aponta que o ambiente político influencia o ritmo das licitações, especialmente em anos eleitorais.

Expectativas Futuras

Apesar dos adiamentos, levantamento conjunto dos ministérios dos Transportes e de Portos e Aeroportos indica que a atual gestão registrou 50 leilões realizados entre 2023 e 2025 em rodovias, portos e aeroportos, superando o número de leilões promovidos durante os mandatos dos ex-presidentes Jair Bolsonaro e Fernando Henrique Cardoso.

Opinião

A situação das concessões de infraestrutura evidencia a necessidade de um planejamento mais eficaz e menos dependente de fatores políticos, para que o próximo governo possa avançar nas obras essenciais para o desenvolvimento do País.