Eleições

Floriano de Azevedo Marques suspende campanha de Deltan Dallagnol e gera polêmica

Floriano de Azevedo Marques suspende campanha de Deltan Dallagnol e gera polêmica

O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), decidiu suspender a campanha de Deltan Dallagnol, candidato ao Senado pelo Paraná, em uma medida que gerou forte controvérsia. A decisão, tomada no dia 19 de setembro de 2026, impede Deltan de realizar atos de campanha e acessar verbas públicas, levantando questões sobre a legalidade e a motivação por trás da ação.

Deltan, ex-coordenador da força-tarefa da Operação Lava Jato, alegou que a decisão é resultado de uma perseguição política e uma violação da legislação eleitoral. Ele destacou a relação de amizade entre Floriano e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que foi um dos responsáveis pela indicação de Floriano ao TSE por Lula. Em suas redes sociais, Deltan criticou a natureza da medida cautelar e afirmou que a decisão foi tomada em um momento em que ele estava em alta nas pesquisas eleitorais.

Decisão do TSE e Implicações

A suspensão foi resultado de um pedido da Coligação Paraná Para Todos e da Federação Brasil da Esperança, que inclui partidos como PT, PCdoB e PV. Essa articulação buscou reverter a aprovação do registro de Deltan pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), que havia ocorrido em 8 de setembro de 2026, por uma votação apertada de 4 a 3. Com a liminar, Deltan ficou impedido de realizar qualquer ato de campanha, participar de debates e veicular programas no rádio e na TV, além de ter bloqueados os repasses de verbas do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).

Floriano justificou sua decisão citando que a aprovação do registro de Deltan pelo TRE-PR contrariava um entendimento anterior do TSE, que em maio de 2023 havia decretado a perda do mandato de Deltan com base na Lei da Ficha Limpa. O ministro argumentou que a continuidade da campanha de Deltan poderia distorcer as preferências eleitorais e gerar instabilidade jurídica.

Contrastes e Controvérsias

A decisão de Floriano gerou críticas por sua aparente disparidade em relação a casos semelhantes. Em agosto, o mesmo ministro havia concedido uma liminar favorável ao ex-governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, permitindo que ele retomasse sua campanha, apesar de também enfrentar restrições relacionadas à Lei da Ficha Limpa. Enquanto Garotinho teve suas atividades liberadas, Deltan, com registro validado, teve sua campanha suspensa de forma monocrática.

Com a decisão, Deltan anunciou que irá recorrer ao plenário do TSE, apontando a disparidade de critérios e a violação das garantias legais de campanha. A situação continua a gerar debates intensos sobre a imparcialidade do processo eleitoral e a influência de relações pessoais nas decisões judiciais.

Opinião

A suspensão da campanha de Deltan Dallagnol levanta questões importantes sobre a equidade no tratamento de candidatos e a necessidade de um processo eleitoral transparente e justo.