Autoridades russas relataram ataques a sistemas de votação e linhas de comunicação em todo o país neste sábado, segundo dia das eleições parlamentares que ocorrem entre 18 e 20 de setembro de 2023. Este pleito é considerado um teste de apoio público à guerra na Ucrânia e marca a primeira eleição para a Duma Estatal desde fevereiro de 2022.
A eleição deverá confirmar a posição dominante do partido Rússia Unida, pró-Putin, no sistema político russo, que é rigidamente controlado. A maioria dos candidatos pacifistas foi excluída das urnas antes mesmo do início da votação. A Suprema Corte decidiu no mês passado que o partido liberal Yabloko, que defende um cessar-fogo na Ucrânia, havia violado regras eleitorais, algo que o partido nega.
Embora alguns candidatos do Yabloko ainda estejam concorrendo em distritos uninominais, que representam metade das 450 cadeiras na câmara baixa do parlamento, o partido tradicionalmente obtém índices de aprovação de um dígito.
Incidentes de segurança
No sábado, as autoridades informaram que o sistema de votação online em Moscou havia sido alvo de um forte ataque durante a noite, mas asseguraram que a situação estava sob controle. A presidente da Comissão Eleitoral Central (CEC), Ella Pamfilova, afirmou que os ataques continuavam, mas estavam sendo repelidos com sucesso.
Além disso, o Ministério da Informação e Comunicação da Rússia registrou uma tentativa de sabotagem nas linhas de comunicação no Extremo Oriente, mas informou que o ataque foi frustrado e todas as comunicações foram restabelecidas.
Acusações e disputas diplomáticas
O presidente Vladimir Putin acusou a Ucrânia de tentar interferir na votação, embora não tenha apresentado provas. A participação eleitoral em todo o país, às 14h, horário local, era de 32,58%, segundo dados da CEC.
Na região separatista da Transnístria, na Moldávia, a eleição gerou uma disputa diplomática com Chisinau devido às objeções desta ao plano do Kremlin de abrir 15 seções eleitorais para cidadãos russos na região. Moscou alega que os 220 mil habitantes da Transnístria, que se separou da Moldávia em 1990, possuem passaportes russos e têm direito a voto.
Opinião
A situação eleitoral na Rússia revela não apenas a fragilidade da democracia no país, mas também a crescente tensão entre Moscou e Kiev, que pode impactar as relações internacionais.





