Economia

Lula considera Galípolo o maior ‘traidor’ após aumento da Selic e escândalo do Banco Master

Lula considera Galípolo o maior 'traidor' após aumento da Selic e escândalo do Banco Master

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, enfrenta uma forte pressão do presidente Lula, que o considera o maior ‘traidor’ em sua trajetória política. A insatisfação de Lula se deve, principalmente, ao ritmo lento dos cortes na taxa de juros Selic e à postura de Galípolo em relação ao escândalo do Banco Master.

Desde que Galípolo assumiu a presidência do Banco Central em janeiro de 2025, a Selic passou de 12,25% para 13,75%, após uma redução recente de 0,25 ponto percentual. Lula já expressou publicamente sua frustração com os juros altos, afirmando que a manutenção da Selic elevada poderia desestabilizar seu governo.

Descontentamento com a Selic

Durante um jantar em 31 de agosto, Lula reiterou seu descontentamento com a taxa de juros, embora tenha negado considerar Galípolo um traidor em público. Ele destacou que a autonomia do Banco Central limita sua capacidade de influenciar a política econômica, o que gera insatisfação entre seus aliados.

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, e o ex-ministro José Dirceu também expressaram críticas à atuação de Galípolo, questionando a manutenção da Selic em níveis tão elevados.

Escândalo do Banco Master

Outro ponto de atrito entre Lula e Galípolo é o escândalo do Banco Master. O PT tentou vincular o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a fraudes na instituição, mas Galípolo defendeu Campos Neto, afirmando que não houve evidências de culpa. Essa defesa gerou ainda mais descontentamento entre os aliados de Lula.

Atualmente, o Brasil possui a segunda maior taxa de juros real do mundo, com 9,33% ao ano, atrás apenas da Rússia. O Comitê de Política Monetária (Copom) justifica a Selic elevada como uma medida necessária para conter a inflação e garantir a convergência da inflação para a meta.

Expectativas de inflação e futuro econômico

As expectativas de inflação para 2027 estão em torno de 4,3%, o que preocupa tanto o governo quanto o mercado. Apesar das críticas à lentidão na redução dos juros, analistas apontam que o desequilíbrio fiscal e a falta de reformas estruturais são os principais obstáculos para cortes mais significativos.

Opinião

A relação entre Lula e Galípolo ilustra a complexidade da política econômica brasileira, onde a autonomia do Banco Central é constantemente desafiada por pressões políticas e expectativas de mercado.