Criminosos estão utilizando inteligência artificial (IA) para automatizar golpes e ataques cibernéticos, além de comercializar ferramentas e serviços que facilitam atividades antes restritas a agentes com maior conhecimento técnico. Essa prática tem se tornado uma preocupação crescente para as empresas brasileiras, que precisam revisar seus mecanismos de segurança.
IA vira serviço no cibercrime
Uma pesquisa da Trellix identificou que, em fóruns e canais utilizados pelo cibercrime, ferramentas e serviços de IA estão sendo anunciados com preços e planos, em um modelo similar ao de empresas legítimas. Entre as ofertas estão plataformas para planejamento de ataques, desenvolvimento de malware e evasão de sistemas de proteção. Segundo John Fokker, chefe de Investigações Cibernéticas da Trellix Threat Labs, a principal mudança é a transformação dessas capacidades em produtos acessíveis a um número maior de criminosos.
IA reduz as barreiras para ataques
A chamada “compressão de capacidades” permite que tarefas que antes exigiam conhecimento técnico sejam simplificadas pela IA. Isso resulta em um aumento no número de potenciais atacantes, que podem realizar ataques mais baratos, rápidos e escaláveis. Embora não signifique que qualquer pessoa possa conduzir um ataque cibernético sofisticado, a tecnologia facilita atividades que antes exigiam profissionais mais experientes.
Ameaças conhecidas se tornam mais rápidas e eficientes
A IA não apenas facilita novos ataques, mas também acelera ameaças já conhecidas, como phishing, roubo de credenciais e ransomware. A pesquisa da Trellix mostra que essa automação pode atingir diferentes pontos da cadeia de ataque, aumentando a pressão sobre as empresas que dependem de mecanismos tradicionais de proteção.
Até processos de contratação podem ser explorados
Ferramentas de IA também podem ser utilizadas para explorar processos de verificação dentro das empresas, ajudando candidatos mal-intencionados a superar etapas de seleção e obter acesso a sistemas e informações corporativas. Isso amplia a necessidade de as empresas revisarem seus mecanismos de segurança.
Por que o cenário preocupa no Brasil
O uso comercial da IA no cibercrime é uma preocupação especial para empresas brasileiras, que já enfrentam um cenário de ameaças digitais em larga escala. Dados da Security Leaders revelam que o Brasil sofreu mais de 753,8 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos em 2025, concentrando 84% das investidas registradas na América Latina. John Fokker recomenda que as empresas avaliem como a evolução da IA está mudando as ameaças que enfrentam e fortaleçam seus controles de identidade e acesso.
Opinião
O cenário de cibercrime no Brasil exige uma resposta rápida e eficaz das empresas, que precisam se adaptar às novas ameaças trazidas pela inteligência artificial.





