No último sábado (12), um desabamento trágico na Penha, zona leste de São Paulo, resultou na morte de seis pessoas, incluindo uma menina de apenas sete anos. O prédio, que desabou por volta das 2h, atingiu uma residência vizinha, onde morava uma família de imigrantes bolivianos.
Entre as vítimas estão Edelmira Titicayo Limachi, 26 anos, seu marido Brayan Gery Gutierrez, 29, e o irmão dela, Sergio Titicayo Limachi. Também faleceram Maria Elena Ramirez Titicayo e sua filha Shaira Diana Chinó Ramirez, de 7 anos, além de Ana Lucia Ruiz Romero, 38 anos. A advogada do Consulado da Bolívia, Patrícia Veiga, informou que o órgão está trabalhando para repatriar os corpos para Oruro, na Bolívia.
Responsáveis pela obra são investigados
A New Home Construtora, responsável pela obra, não cumpriu o alvará da prefeitura que determinava a demolição do prédio. A construção, que começou em 2019, foi interditada devido a problemas estruturais detectados pela gestão municipal. Em 2023, a demolição foi oficialmente determinada, mas as obras continuaram.
O Corpo de Bombeiros e a Defesa Civil mobilizaram equipes para resgatar as vítimas, que durou mais de 24 horas. Um homem e uma menina de 5 anos foram resgatados com ferimentos leves. No domingo (13), a polícia prendeu Ronaldo Vivacqua, considerado um sócio oculto da construtora. O engenheiro Cristiano Vivacqua, filho de Ronaldo, e sua esposa Isis Brandão, ambos foragidos, também são alvos de investigação.
Investigações em andamento
A delegada Deidiene Fialho Eboli Prado, do 24º DP (Ponte Rasa), afirmou que a análise dos documentos da construção levantou suspeitas sobre a fragilidade da obra, indicando que os responsáveis poderiam ter conhecimento dos riscos. A servidora que vistoriou a obra foi afastada por 30 dias para apuração dos fatos, conforme anunciado pelo controlador-geral do Município, Daniel Falcão.
O prefeito Ricardo Nunes confirmou que técnicos da prefeitura constataram, por meio de imagens de satélite e relatos de vizinhos, que a demolição não foi realizada.
Opinião
O trágico desabamento expõe a gravidade da falta de fiscalização e a necessidade urgente de responsabilização dos envolvidos em obras irregulares.





