A eventual interferência do ministro Alexandre de Moraes em favor do banqueiro Daniel Vorcaro pode ter contribuído para agravar o rombo bilionário deixado pelo Banco Master no sistema bancário do Brasil. Mensagens obtidas e analisadas pela Polícia Federal (PF) indicam que, entre outubro e novembro de 2025, semanas antes da liquidação da instituição, Vorcaro fez diversos pedidos a Moraes para conter o avanço das investigações que antecederam sua prisão e a liquidação do banco.
A relação de confiança entre Moraes e Vorcaro já vinha sendo construída desde dezembro de 2023, com pelo menos oito encontros entre 2024 e 2025. Embora o Master representasse apenas 0,57% dos ativos e 0,55% das captações do Sistema Financeiro Nacional, a liquidação do banco e de outras instituições do conglomerado gerou um impacto de R$ 40,6 bilhões nas reservas do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Somando-se as liquidações da Will Financeira e do Banco Pleno, o impacto total nas reservas do FGC alcançou cerca de R$ 57,4 bilhões.
Consequências da Liquidação
O rombo gerado pela quebra do Master obrigou os bancos a antecipar cinco anos de contribuições ordinárias, totalizando R$ 32,5 bilhões, para recompor a liquidez do FGC. Ao fim de 2025, o patrimônio líquido do FGC era de R$ 123,2 bilhões, e o desembolso recorde para ressarcir investidores reduziu os rendimentos do fundo.
Investimentos e Riscos
Os investidores que tinham mais de R$ 250 mil aplicados no Master ficaram expostos a perdas, já que a garantia do FGC cobre apenas até esse limite. A situação é ainda mais crítica para os regimes próprios de previdência, que investiram cerca de R$ 1,86 bilhão no Master, incluindo o Rioprevidência, que aplicou R$ 970 milhões em letras financeiras do banco.
Além disso, a investigação da PF revelou que a exposição do fundo fluminense ao grupo Master, incluindo investimentos indiretos, chegou a R$ 3,69 bilhões. O conjunto de perdas potenciais dos regimes de previdência estaduais e municipais identificados chegou a R$ 4,49 bilhões.
Impacto na Liquidez e Fiscalização
A quebra do Master afetou também o Banco de Brasília (BRB), que ficou exposto a inconsistências nas carteiras do Master, totalizando R$ 30,4 bilhões. O atual presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, informou que o banco constituiu R$ 8,8 bilhões em provisões relacionadas à crise e solicitou R$ 6,6 bilhões em apoio financeiro.
Opinião
A situação do Banco Master levanta questões sérias sobre a supervisão e a responsabilidade no sistema financeiro brasileiro, refletindo a necessidade de maior transparência e rigor nas relações entre autoridades e o setor bancário.





