Marcada para domingo, 13, a 25ª edição da Lavagem de Madeleine, um evento afro-brasileiro que reúne 60 mil pessoas em Paris, não obteve autorização da Igreja para ser realizado. A tradicional lavagem das escadarias da igreja de La Madeleine foi transferida para uma área pública em frente, onde a concentração ocorrerá na Place de la République.
Além dos rituais religiosos, a celebração contará com apresentações de artistas, tendo a cantora Mariene de Castro como a principal atração. De acordo com os organizadores, a mudança de local ocorreu após o pároco Patrick Chauvet informar que não permitiria a lavagem da escadaria, como ocorreu nos últimos anos. Em nota, a 25ª edição da Lavagem lamenta a decisão e informa que permanece aberta ao diálogo.
Reconhecimento e História
A Lavagem de Madeleine é uma celebração ecumênica, que reúne referências do catolicismo e das religiões de matriz africana. Reconhecida como patrimônio imaterial desde 2022, a festa faz parte do calendário cultural de Paris e integra a Rota dos Escravizados da Unesco, um roteiro cultural internacional que preserva a memória da escravidão.
Reação da Comunidade
Procurada pela reportagem, a Arquidiocese de Paris não explicou a negativa para a festa afro-brasileira. No site da instituição, há um chamado para os católicos demonstrarem “amizade” à comunidade judaica, que celebra nesta semana o Ano Novo (Rosh Hashaná) e o Dia do Perdão (Yom Kippur). A organização da Lavagem conclama apoio: “Convocamos artistas, instituições culturais, líderes religiosos, movimentos sociais, brasileiros, franceses, imigrantes e todas as pessoas comprometidas com a liberdade religiosa, a diversidade e direitos a apoiarem a 25ª edição da Lavagem e a se unirem a esta demonstração de resistência cultural”.
Expectativas para o Evento
Apesar da proibição, a 25ª edição do evento espera contar com uma centena de artistas em uma festa que se estenderá pelas ruas de Paris, após o ato religioso em frente à igreja. O mestre de cerimônias, o multiartista Robertinho Chaves, comandará a atração ao lado de Mariene de Castro, do alto de um trio elétrico. Também são esperados o cantor Jau, a artista franco-brasileira Gildaa e Lorena Pires, que interpretará a oração “Ave Maria”.
Opinião
A proibição do pároco Patrick Chauvet levanta questões sobre liberdade religiosa e a importância da celebração da cultura afro-brasileira em Paris.





