A professora emérita Zélia Amador de Deus, de 74 anos, da Universidade Federal do Pará (UFPA), faleceu no dia 8 de agosto de 2023, em Belém (PA). Reconhecida por sua atuação como pesquisadora em ciências sociais e ativista, Zélia foi uma das fundadoras do Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (Cedenpa) e dedicou sua vida à defesa dos direitos das comunidades quilombolas.
No último dia 18 de agosto, a UFPA prestou uma homenagem póstuma à professora com o plantio de um baobá, uma árvore simbólica para diferentes povos africanos. Durante a cerimônia, Zélia expressou sua emoção, afirmando que a árvore representa ancestralidade e memória. A universidade destacou que sua contribuição foi fundamental para a construção de uma instituição mais plural e comprometida com a igualdade racial.
Legado e Reconhecimento
Entre suas muitas conquistas, Zélia Amador de Deus foi vice-reitora da UFPA de 1993 a 1997 e recebeu o título de professora emérita em 2019. Sua luta incluiu a ampliação do acesso e permanência de grupos historicamente excluídos no ensino superior. O reitor da UFPA, Gilmar Pereira da Silva, a descreveu como uma referência e símbolo de amizade e cuidado com as pessoas.
A historiadora Janira Sodré, fundadora do Instituto Pretas, ressaltou a importância de Zélia ao afirmar que ela ensinou a nortear o olhar sobre o país, dando protagonismo às mulheres da Amazônia Negra. O professor Jonas Pinheiro também enfatizou seu papel decisivo na luta pelas cotas raciais e pelo respeito aos saberes tradicionais.
História de Vida
Nascida em 1951 na Ilha do Marajó, Zélia teve uma infância marcada por desafios, sendo filha de mãe solteira e enfrentando o racismo desde cedo. Sua trajetória é um exemplo de superação, tendo estudado em escolas públicas e aprendido a impor sua presença em qualquer lugar, como ensinou sua avó.
Opinião
A morte de Zélia Amador de Deus representa uma grande perda para a luta antirracista no Brasil, mas seu legado continuará a inspirar futuras gerações na busca por igualdade e justiça social.





