José Sérgio Gabrielli, coordenador do programa de governo da campanha de Lula (PT), afirmou que a crise fiscal no Brasil é uma “fake news”. Em declaração à Folha de S. Paulo, ele disse que a economia brasileira apresenta bons sinais e que não há motivos para preocupação.
Entretanto, dados divulgados pelo Banco Central revelam uma realidade diferente. O endividamento público do Brasil atingiu 82,5% do PIB em julho de 2026, o maior índice desde abril de 2021, durante a pandemia da Covid-19. O economista-chefe da Warren Rena, Felipe Salto, destacou que este é o maior valor da série histórica se desconsiderados os anos de pandemia.
Déficit primário e gastos com juros
O cenário fiscal é ainda mais preocupante com o déficit primário acumulado em 12 meses de 0,67% do PIB e o governo gastando R$ 668,6 bilhões com juros da dívida apenas em 2026. Essa despesa representa cerca de 8,52% do PIB no período e, em 12 meses, chega a R$ 1,1 trilhão, ou 8,67% do PIB.
Gabrielli minimizou a importância desses números, afirmando que não há motivo para pânico e que as previsões de mercado não mudaram. No entanto, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reconheceu a necessidade de uma estratégia para a redução de gastos e reforço ao arcabouço fiscal.
Projeções preocupantes para o futuro
As projeções para a dívida pública estão se deteriorando. O boletim Focus do Banco Central estima que a dívida chegue a 87,2% do PIB em 2027, com previsões ainda mais alarmantes para os anos seguintes. A Instituição Fiscal Independente (IFI) alertou sobre a realização de déficits primários efetivos, sinalizando uma tendência de agravamento dos desequilíbrios fiscais.
Para estabilizar a dívida bruta, a IFI estima que seria necessário um superávit primário de 2,1% do PIB, uma meta distante da trajetória atual. Sem reformas nos gastos obrigatórios, a dívida pode crescer 13 pontos percentuais do PIB entre 2026 e 2030, comprometendo serviços públicos essenciais.
Opinião
O discurso oficial de que a crise fiscal é “fake news” contrasta com dados alarmantes, refletindo uma realidade que exige atenção e ação imediata.





