Eleições

Flávio Bolsonaro e Gaspar defendem modelo de segurança de Bukele em congresso tenso

Flávio Bolsonaro e Gaspar defendem modelo de segurança de Bukele em congresso tenso

Aliados do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, reforçaram nesta segunda-feira (31) a defesa do modelo de segurança pública adotado em El Salvador pelo presidente Nayib Bukele, durante um congresso na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp). O candidato a vice na chapa de Flávio, Alfredo Gaspar (PL), participou do evento, que contou com a presença do ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro, que se reuniu com o presidenciável no dia anterior.

Defesa do Modelo Bukele

O senador e candidato do PL ao governo do Paraná, Sergio Moro, e o deputado federal Guilherme Derrite (PP), candidato ao Senado por São Paulo, elogiaram as políticas de Bukele, que resultaram em uma drástica redução dos índices de criminalidade no país. O presidente da Fiesp, Paulo Skaf, destacou a alta aprovação do governo de Bukele entre a população salvadorenha como prova da eficácia das medidas.

Durante o evento, Gaspar endossou a visão de Flávio de que “tem pouco preso no Brasil” e afirmou que “o Brasil precisa prender mais e melhor”, propondo endurecer a legislação penal para assegurar o cumprimento de penas. O candidato a vice enfatizou a necessidade de retomar áreas dominadas por organizações criminosas, afirmando que Flávio está “obstinado em decretar guerra ao crime organizado” e que o primeiro ato de seu governo será classificar essas facções como organizações terroristas.

Críticas e Propostas

Gaspar criticou indiretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, questionando a soberania do Brasil sobre seu território em áreas controladas por traficantes. Ele prometeu que, se a chapa do PL for eleita, implementará medidas “ostensivas e preventivas” para recuperar esses territórios. “Bandido não vai ter vez no Brasil”, afirmou, destacando que parte dos recursos economizados com ajustes fiscais será destinada à criação de vagas para 500 mil presos.

Sergio Moro, que organizou o congresso, anunciou que, se eleito governador do Paraná, dará o nome de “El Salvador” a um presídio estadual de segurança máxima que pretende construir. Ele ressaltou que os presídios em El Salvador são eficazes em “neutralizar” criminosos, garantindo seu isolamento após a prisão, diferentemente do que ocorre no Brasil.

Reações e Expectativas

O evento também recebeu críticas de opositores, que associaram a operação Carbono Oculto ao governo federal, enquanto Derrite defendeu que a operação foi uma iniciativa das autoridades paulistas. Paulo Skaf expressou a esperança de que os novos governantes priorizem a segurança pública e tenham coragem para implementar as necessárias providências.

Opinião

O debate sobre segurança pública no Brasil se intensifica à medida que propostas inspiradas em modelos externos são apresentadas, levantando questões sobre eficácia e direitos humanos.