Empresas que desejam reduzir gastos com viagens corporativas podem estar começando a negociação pelo lugar errado. Durante o Fórum de Inovação em Procurement, realizado em São Paulo, a Voetur Viagens apresentou uma análise que destaca a importância de entender o comportamento de compras e a relação com fornecedores antes de discutir descontos com companhias aéreas, hotéis e locadoras.
Dados da ABRACORP de 2025 revelam que as passagens aéreas representam aproximadamente 58% do volume de compras de viagens, enquanto a hospedagem responde por 31%. A Voetur enfatiza que a alteração no comportamento de compra pode impactar significativamente as despesas de viagens, promovendo uma redução de custos.
Carolina Gaete, diretora comercial da Voetur Viagens e embaixadora da ALAGEV em São Paulo, ressalta que os processos de concorrência atuais limitam a abertura de dados, apresentando apenas o gasto anual consolidado da empresa. “Quanto mais a empresa abre seus dados, mais o fornecedor consegue identificar o que precisa ser trabalhado primeiro. Sem dados, como podemos ajudar?” afirma Carolina.
Entre as informações que podem melhorar a qualidade de uma concorrência estão a antecedência média de compra, as companhias aéreas mais utilizadas, acordos corporativos e preferências dos viajantes. A lógica é transformar o processo de concorrência em uma análise da operação, permitindo que o fornecedor identifique oportunidades de negociação e mudanças de comportamento que podem gerar economia.
A Voetur argumenta que essa mudança também amplia o papel das TMCs, que passam a atuar de forma consultiva, acompanhando dados e recomendando mudanças de comportamento e políticas. “Quando dados são compartilhados desde o início, é possível atuar de forma muito mais assertiva”, diz Carolina.
A consequência é uma mudança na definição de gestão de viagens corporativas, que deixa de ser vista apenas como uma despesa a ser reduzida linearmente e passa a analisar o custo total da viagem e os fatores que o determinam. Essa estratégia envolve dados, comportamento, negociação, tecnologia e experiência do viajante.
Para a Voetur, essa nova abordagem exige uma relação mais transparente entre empresas e fornecedores. Dados históricos e informações operacionais devem ser utilizados desde o início de uma RFP, permitindo que a concorrência se baseie nas características reais de cada operação. “Cada negócio tem características diferentes. Se a empresa abre os dados, o fornecedor consegue enxergar onde realmente está a oportunidade”, conclui Carolina.
Opinião
A transparência de dados na gestão de viagens corporativas pode ser a chave para uma relação mais eficiente entre empresas e fornecedores, promovendo não apenas a redução de custos, mas também uma melhor experiência para os viajantes.





