A urna eletrônica brasileira, um marco na democracia, não foi criada por uma única pessoa, mas sim por um esforço coletivo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 1995. O objetivo era desenvolver um equipamento seguro e simples para votação, que funcionasse sem depender de energia elétrica contínua ou de conexão à internet.
Antes da criação da urna, foi realizado o primeiro recadastramento nacional de cerca de 70 milhões de eleitores entre 1985 e 1986, eliminando fraudes no cadastro eleitoral. O modelo UE96 foi estreado nas eleições municipais de 1996, utilizando um processador Intel 386SX de 40 MHz e apenas 2 MB de memória, características que eram uma decisão de projeto.
O processo de criação
Na gestão do ministro Carlos Velloso, o TSE formou dois grupos: o Grupo de Notáveis, que definiu os parâmetros jurídicos, e o Grupo Técnico de Engenharia, liderado por Paulo Camarão, que concebeu o projeto do equipamento. A norma que autorizou o uso do sistema eletrônico de votação foi a Lei nº 9.100 de 1995.
A primeira urna, inicialmente chamada de Coletor Eletrônico de Votos, foi fabricada pela Unisys Brasil, que produziu as primeiras 70 mil unidades. O equipamento foi projetado para ser seguro, evitando as vulnerabilidades de computadores pessoais comuns, que não eram adequados para uma eleição nacional.
Características e evolução
O modelo UE96 possuía um teclado numérico adaptado para facilitar o voto de eleitores não alfabetizados. Desde 2008, a urna utiliza o Uenux, um sistema operacional baseado em Linux, que não permite conexões remotas, garantindo ainda mais segurança.
Com o passar dos anos, a urna evoluiu. A UE98 introduziu a exibição de fotos dos candidatos, enquanto a UE2009 trouxe um dispositivo de criptografia em hardware. A mais recente, a UE2020, possui 4 GB de memória, aumentando significativamente o poder de processamento.
Funcionamento seguro
A urna eletrônica opera de forma isolada, sem conexão à internet, garantindo que o registro dos votos seja feito localmente e de forma autônoma. Após o encerramento da votação, os dados são transmitidos de forma segura a um centro de totalização do TSE.
Opinião
A história da urna eletrônica é uma demonstração clara de como a tecnologia pode transformar a democracia, garantindo mais segurança e eficiência no processo eleitoral brasileiro.





