Economia

Petrobras anuncia hidrocarbonetos na Foz do Amazonas e gera polêmica ambiental

Petrobras anuncia hidrocarbonetos na Foz do Amazonas e gera polêmica ambiental

No dia 14 de outubro, a Petrobras anunciou a presença de hidrocarbonetos na Bacia da Foz do Amazonas, mas a descoberta ainda gera incertezas, segundo especialistas. A estatal confirmou que a presença de hidrocarbonetos foi identificada por meio de perfis elétricos e indicativos em rocha, mas não esclareceu se se trata de petróleo ou gás, nem a viabilidade comercial do material encontrado.

A Petrobras notificou a Agência Nacional de Petróleo (ANP) sobre a descoberta, mas não há informações sobre volumes ou a viabilidade comercial do material. Um geólogo próximo à empresa afirmou que, embora a presença de hidrocarbonetos seja um sinal positivo, é necessário cautela em relação à comercialidade e aos volumes disponíveis. O consultor Marcus D’Elia ressaltou que a informação é preliminar e que a Margem Equatorial ainda não pode ser considerada uma nova reserva.

Histórico e Licenciamento Ambiental

A Bacia da Foz do Amazonas faz parte da Margem Equatorial brasileira, que se estende do Rio Grande do Norte ao Amapá. A Petrobras recebeu licença ambiental do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) em outubro de 2025 para buscar petróleo na região, que é considerada crítica do ponto de vista socioambiental. Contudo, a empresa já recebeu negativas do Ibama para o licenciamento no bloco FZA-M-59, onde a perfuração ocorre a 175 km da costa do Amapá e mais de 500 km da foz do rio Amazonas.

A Petrobras planeja perfurar outros poços próximos, mas aguarda autorização do Ibama. A ex-presidente do Ibama, Suely Araújo, criticou a empresa por usar uma base desatualizada para estudar os movimentos de correntes na área, o que pode comprometer a modelagem de dispersão de óleo em caso de acidentes. Araújo e o Observatório do Clima pretendem continuar com as medidas judiciais relacionadas ao licenciamento ambiental.

Opinião

A descoberta de hidrocarbonetos pela Petrobras levanta questões importantes sobre a viabilidade econômica e os impactos ambientais, exigindo um debate mais profundo sobre o futuro da exploração na Foz do Amazonas.