No interior de São Paulo, a poucos quilômetros de Campinas, a Ascenty está erguendo o primeiro complexo de data center do Brasil dedicado exclusivamente à inteligência artificial em Sumaré. Este projeto não é um caso isolado, mas sim uma parte visível de um movimento que coloca o Brasil como um dos principais destinos globais para investimentos em IA.
As grandes empresas do setor, conhecidas como hyperscale, como Amazon, Microsoft, Google, Meta e Oracle, devem investir juntas cerca de US$ 725 bilhões até 2026, com três quartos desse montante destinado a infraestrutura de inteligência artificial, incluindo data centers e chips. Este valor representa um crescimento significativo em relação ao ano anterior.
Brasil em posição de destaque
O Brasil já concentra 48% da capacidade instalada de data centers na América Latina e é responsável por 71% de tudo que está em construção na região. Globalmente, ocupa a 12ª posição com cerca de 200 empreendimentos em operação ou desenvolvimento. As projeções indicam que o país deve atrair US$ 33 bilhões em investimentos até 2030, com um terço desse total voltado para ativos imobiliários.
O crescimento da capacidade instalada de data centers no Brasil deve aumentar de 750 MW para 3 GW até 2032, um salto significativo em menos de uma década. O modelo de negócios também está mudando, com as empresas adotando uma estratégia híbrida, onde um terço da infraestrutura é própria e dois terços são locados.
Desafios e inovações
O projeto da Ascenty em Sumaré beneficia-se do regime de ex-tarifário, que isenta de impostos a importação de chips da Nvidia, garantindo competitividade ao empreendimento. No entanto, o crescimento acelerado levanta preocupações sobre demanda energética e uso de água. A demanda global de energia para data centers deve saltar de 115 GW em 2025 para entre 240 GW e 280 GW até 2030, pressionando as redes elétricas.
Além disso, novas tecnologias de refrigeração estão sendo implementadas, como um sistema fechado no complexo da Ascenty, que reduz o consumo hídrico. Essas inovações são essenciais à medida que a fiscalização ambiental se torna mais rigorosa.
O futuro da inteligência artificial no Brasil
O governo brasileiro está ativamente buscando consolidar a posição do país como um hub de inteligência artificial, incluindo missões internacionais para atrair investimentos. A aprovação do programa Redata é vista como um divisor de águas, podendo desbloquear uma nova onda de aportes, especialmente de investidores que esperam segurança jurídica.
Opinião
O avanço do Brasil na construção de infraestrutura para inteligência artificial é um passo crucial para se consolidar como líder no setor, mas exige atenção aos desafios energéticos e ambientais que surgem com esse crescimento.





