Economia

Economista alerta: conta de luz no Brasil é mais cara e freia competitividade

Economista alerta: conta de luz no Brasil é mais cara e freia competitividade

Com um valor de conta de luz que supera o de 77 países, o Brasil enfrenta um desafio significativo em termos de competitividade. O estudo realizado pelo economista Daniel Duque, do Centro de Liderança Pública (CLP), revela que a energia elétrica no país pesa fortemente nos custos operacionais das empresas, sendo um dos principais entraves à produtividade nacional.

A questão não reside apenas na geração de energia, que é uma das mais renováveis do mundo, mas sim nos altos impostos, nas perdas no sistema e nas distorções regulatórias. O preço da energia elétrica residencial no Brasil é de US$ 0,179/kWh, e, quando ajustado pela paridade de poder de compra, sobe para US$ 0,357/kWh.

Impacto das Perdas e da CDE

Um fator crítico é que as perdas totais no sistema chegam a 14,3% da energia distribuída, com quase metade desse total (7,1%) resultante de perdas não técnicas, como furtos e fraudes. Além disso, a Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) atingiu R$ 49,2 bilhões em 2025, com previsão de R$ 52,7 bilhões para 2026, impactando diretamente a conta de luz dos consumidores.

O estudo aponta que 30,4% da conta de luz corresponde ao custo de geração, enquanto outros custos, como distribuição e encargos setoriais, também contribuem para o aumento da tarifa. A reforma no setor elétrico poderia reduzir esses custos em até 32%, tornando a energia mais acessível e competitiva.

Desafios Legais e Regulatórios

O economista Duque também critica a legislação atual, que inclui “jabutis” que não seguem critérios técnicos e encarecem o setor. Um exemplo é a Lei 14.182/2021, que obrigou a contratação de termelétricas a gás, elevando ainda mais os custos. O atual cenário é agravado pela proposta de lei que pode aumentar a dependência de fontes de energia caras, ignorando dados técnicos.

Opinião

A discussão sobre a conta de luz no Brasil é urgente e deve ser abordada com seriedade. Reformas estruturais são necessárias para garantir um sistema energético mais eficiente e acessível a todos.