Política

Desembargador Loraci Flores de Lima renuncia ações da Lava Jato após punição unânime do CNJ

Desembargador Loraci Flores de Lima renuncia ações da Lava Jato após punição unânime do CNJ

O desembargador Loraci Flores de Lima renunciou às ações da antiga Operação Lava Jato sob sua relatoria no Tribunal Regional Federal da 4.ª Região (TRF-4). A decisão foi comunicada à Corte por meio de um despacho após uma punição aplicada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), que resultou em uma suspensão de 60 dias.

A suspensão ocorreu devido ao suposto descumprimento de uma ordem do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinava a paralisação de processos criminais da Lava Jato. Loraci alegou ‘incompatibilidade’ para continuar exercendo sua função jurisdicional nas ações. A sanção, na prática, já havia sido cumprida, pois o desembargador estava afastado durante 72 dias liminarmente, no curso do Processo Administrativo Disciplinar.

O desembargador negou o descumprimento da ordem de Toffoli e abdicou do acervo da Lava Jato a partir da ‘compreensão firmada pelo CNJ’. Sua decisão está alinhada com o artigo 122 do Código de Processo Penal, que impõe ao magistrado o afastamento espontâneo em casos de impedimento ou incompatibilidade.

As ações sob sua relatoria vieram da 13.ª Vara Criminal Federal de Curitiba, que é a base da Lava Jato. Recursos e apelações contra sentenças e decisões da 13.ª Vara chegaram ao TRF-4, sediado em Porto Alegre, que também tem jurisdição no Paraná. O TRF-4 ficou conhecido como o Tribunal da Lava Jato.

A decisão do CNJ também afetou o desembargador Carlos Eduardo Thompson Flores, colega de Loraci, que também foi acusado de ignorar a ordem de Toffoli. Nos autos do Processo Administrativo Disciplinar, os advogados de Thompson negaram qualquer descumprimento deliberado de decisões.

O CNJ concluiu, por decisão unânime, que ambos os desembargadores descumpriram a ordem de Toffoli para suspender ações penais relacionadas à Lava Jato.

Opinião

A renúncia de Loraci Flores de Lima às ações da Lava Jato levanta questões sobre a integridade e a imparcialidade do sistema judiciário em casos de tamanha complexidade e repercussão.