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Rogério Reis expõe ‘Não Somos Mula’ e denuncia Programa Tolerância Zero no Rio

Rogério Reis expõe 'Não Somos Mula' e denuncia Programa Tolerância Zero no Rio

A criatividade e a força de trabalhadores ambulantes das praias do Rio de Janeiro são retratadas na exposição fotográfica Não Somos Mula, que ocupa o Centro Municipal Hélio Oiticica até o dia 30 de outubro. O evento, do premiado fotógrafo Rogério Reis, reúne cerca de 120 fotografias, sendo a maioria apresentada ao público pela primeira vez.

O título da exposição faz referência aos trabalhadores ambulantes que ganham a vida nas areias da orla carioca, como os vendedores de mate, que carregam seus galões de bebidas. As imagens capturadas por Rogério Reis oferecem um contraponto poético ao trabalho pesado desses profissionais, destacando sua capacidade de inovação e criatividade. Cerca de 80% das fotos foram tiradas em Copacabana, enquanto os restantes 20% foram registradas nas praias do Arpoador, Ipanema e Leblon.

Protestos e Tolerância Zero

A exposição chega em um momento crítico, com protestos do Movimento Unido dos Camelôs (Muca) contra o Programa Tolerância Zero, lançado pela Prefeitura do Rio. Essa iniciativa visa intensificar a fiscalização contra camelôs que atuam sem credenciais, alegando que o comércio irregular alimenta facções do crime organizado.

Os membros do Muca têm se manifestado nas ruas, reivindicando diálogo e acusando a administração municipal de tratar os trabalhadores como criminosos. A ação também foi contestada pelo Ministério Público Federal, que ajuizou uma ação civil pública pedindo a suspensão imediata do programa, alegando falta de diálogo e alternativas para a regularização dos ambulantes.

Rogério Reis, durante suas conversas com os ambulantes, ouviu relatos sobre o temor de uma possível privatização das atividades nas areias, que atualmente são dominadas por trabalhadores autônomos. O fotógrafo defende que, em vez do Tolerância Zero, o governo municipal deveria implementar um projeto socioeducativo para qualificar o trabalho dos ambulantes.

Opinião

A exposição Não Somos Mula não apenas celebra a arte, mas também lança luz sobre a luta diária de milhares de trabalhadores que dependem do comércio informal para sobreviver, exigindo uma reflexão sobre políticas públicas que respeitem seus direitos.