O governo de Javier Milei enfrentou novas dificuldades ao abandonar parte da lei de propriedade privada de terras, buscando assim a aprovação no Senado. O projeto, que foi aprovado por 37 a 33 votos, é um reflexo das tensões que o presidente argentino enfrenta para atrair investimentos ao país.
O debate no Senado foi longo e culminou com a retirada de uma seção crucial que flexibilizava restrições sobre o uso da terra, especialmente após incêndios, tanto intencionais quanto acidentais. Na quarta-feira, a administração de Milei já havia recuado ao remover uma parte central da proposta, que permitia a eliminação dos limites à propriedade estrangeira, atualmente fixados em 15%.
A nova versão do projeto, que foi abandonada, tinha como objetivo elevar esse limite para 25%. A desaprovação do presidente, que chegou a 62% da população em julho, reflete a crescente insatisfação com suas políticas, um aumento de 4 pontos percentuais em relação a junho, conforme dados da LatamPulse conduzida pela AtlasIntel e Bloomberg.
Além disso, o projeto provocou protestos em frente ao Congresso, onde manifestantes se opuseram às propostas do governo, levando a confrontos com as forças de segurança, que utilizaram gás lacrimogêneo e balas de borracha para conter os ânimos. Artistas, figuras públicas, políticos de esquerda e sindicatos criticaram a iniciativa, acusando Milei de tentar “entregar” as terras da Argentina.
O que restou do projeto aprovado facilita despejos e favorece a recuperação de propriedades, em resposta a décadas de intervenções estatais que impactaram o setor. Contudo, o projeto ainda precisa passar pela Câmara dos Deputados para uma nova votação.
Opinião
A recente aprovação da lei de terras, mesmo com as concessões feitas por Milei, mostra a fragilidade de sua posição política e a necessidade de maior diálogo com a população.





