Economia

Petrobras registra lucro de R$ 52,4 bilhões e reduz importações em 40%

Petrobras registra lucro de R$ 52,4 bilhões e reduz importações em 40%

A Petrobras registrou um lucro líquido de R$ 52,4 bilhões (US$ 10,4 bilhões) no segundo trimestre de 2026, um salto de 97% em comparação ao mesmo período de 2025. O desempenho financeiro foi impulsionado por recordes operacionais na produção de óleo e na taxa de utilização do refino, além da valorização do petróleo Brent em função da guerra no Oriente Médio.

No âmbito operacional e financeiro, a empresa reportou um faturamento ajustado de R$ 93,8 bilhões (US$ 18,6 bilhões). Quando desconsiderados os efeitos e eventos exclusivos do período, o lucro líquido recorrente atingiu R$ 55,8 bilhões (US$ 11,1 bilhões), enquanto o EBITDA ajustado recorrente somou R$ 100,6 bilhões (US$ 20 bilhões).

Recordes de produção de petróleo e refino no Brasil

O grande destaque do trimestre foi a performance operacional da companhia. A produção própria de óleo no Brasil alcançou a marca histórica de 2,7 milhões de barris por dia (bpd), representando um salto de 15% em relação ao segundo trimestre de 2025. Paralelamente, o parque de refino operou com um Fator de Utilização (FUT) de 101%, garantindo o fornecimento e ampliando a oferta de derivados de petróleo para o mercado nacional.

Essa elevada taxa de utilização permitiu atingir marcas expressivas na fabricação de combustíveis, totalizando 1,9 milhão de bpd em derivados — alta de 5,6% sobre o primeiro trimestre de 2026.

Exportações em alta e redução de importações

O crescimento sustentado da extração de petróleo impulsionou o volume das exportações brasileiras, que se aproximaram da marca de 1 milhão de barris por dia. Por outro lado, a maior capacidade e eficiência do refino doméstico blindou a Petrobras em um momento de volatilidade do mercado internacional, permitindo uma redução de 40% nas importações de derivados em comparação com o trimestre anterior.

Dividendos, impostos e endividamento controlado

A forte geração operacional refletiu significativamente nos retornos aos acionistas e nas contribuições tributárias do país. A Petrobras aprovou a distribuição de R$ 17,4 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio (JCP) referentes ao período, beneficiando tanto investidores privados quanto o setor público. No campo fiscal, a companhia pagou R$ 88,6 bilhões em tributos e participações governamentais (PGOV) distribuídos entre União, Estados e Municípios.

Quanto à estrutura de capital, a dívida bruta fechou o trimestre em US$ 70,8 bilhões, mantendo-se confortavelmente abaixo do teto de US$ 75 bilhões estabelecido no Plano de Negócios 2026-2030.

Investimentos focados no pré-sal e no campo de Búzios

A Petrobras aportou R$ 26,7 bilhões (US$ 5,3 bilhões) em investimentos durante o segundo trimestre de 2026. Cerca de 82% desse montante foi alocado no segmento de Exploração e Produção (E&P), priorizando o desenvolvimento de novos projetos e ativos complementares.

Dentre as principais frentes de trabalho, destacam-se os aportes na fabricação das unidades P-80, P-82 e P-83, que serão destinadas ao prolífico campo de Búzios, com previsão para iniciarem suas atividades operacionais a partir de 2027.

Opinião

O crescimento robusto da Petrobras no segundo trimestre de 2026 reflete não apenas a eficiência operacional, mas também um planejamento estratégico que pode moldar o futuro da companhia e do setor energético brasileiro.