Economia

Sindigás e fabricantes de botijões disputam aumento de importação e tarifa

Sindigás e fabricantes de botijões disputam aumento de importação e tarifa

Distribuidoras de gás de cozinha e fabricantes de botijões para gás liquefeito de petróleo (GLP) estão em meio a uma disputa acirrada, impulsionada pela criação do programa Gás do Povo pelo governo federal. Este programa atende cerca de 15 milhões de famílias, elevando a demanda por novos botijões.

No primeiro semestre de 2026, foram importados aproximadamente 515 mil botijões de 13 kg, com mais de 90% provenientes da China. Esse número representa um crescimento de mais de 52 vezes em relação ao ano anterior, quando apenas 9,9 mil unidades foram importadas durante todo o ano de 2025.

Tarifas e pedidos de isenção

Em resposta ao aumento da importação, fabricantes como Mangels e Aratell, que detêm juntas 55% do mercado nacional, solicitaram ao governo um aumento na tarifa de importação de 12,6% para 25% por pelo menos 12 meses. Eles argumentam que essa medida é necessária para equilibrar o mercado, já que o custo do aço importado aumentou, mas a tarifa sobre os botijões não acompanhou essa mudança.

Por outro lado, o Sindigás, que representa distribuidoras como Amazongás e Ultragaz, contestou a proposta de aumento da tarifa de importação, afirmando que a medida poderia agravar o desabastecimento. O sindicato defende a isenção do imposto, uma vez que a indústria nacional não tem capacidade suficiente para atender a demanda crescente gerada pelo programa Gás do Povo.

Capacidade da indústria e demanda

O Sindigás estima que a demanda por novos botijões pode chegar a 13 milhões, enquanto a capacidade da indústria nacional pode atingir 12 milhões. No entanto, as fabricantes de botijões afirmam que a demanda adicional pode ser suprida, com a Mangels estimando que a necessidade ficará entre 900 mil e 1 milhão de botijões em 2026.

Reações do setor

Empresas do setor de aço, como a CSN e a Gerdau, manifestaram-se contra a isenção solicitada pelo Sindigás, alertando que isso poderia levar à substituição da produção nacional por importados, resultando em perda de empregos e desestímulo a novos investimentos.

Processo de análise

Atualmente, o pedido de isenção do Sindigás está em análise técnica no MDIC, enquanto a solicitação da Mangels foi encaminhada ao Comitê de Alterações Tarifárias, que avaliará a urgência e relevância do pedido.

Opinião

A disputa entre os setores de distribuição e fabricação de botijões de GLP revela a complexidade do mercado e a necessidade de um equilíbrio que atenda tanto os interesses sociais quanto os econômicos.