Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificaram resíduos compatíveis com sangue em áreas do antigo DOI-Codi/SP, um dos principais centros de repressão da ditadura militar brasileira. A pesquisa, que combinou arqueologia e técnicas forenses, revelou também um calendário gravado na parede de um banheiro, deixado por alguém que esteve encarcerado no local.
Resultados da pesquisa
Os resultados da investigação, que ocorreu entre 1970 e 1981, mostraram a presença de resíduos hemáticos em uma antiga enfermaria e na sala 7, uma sala de interrogatório. Um teste confirmatório nessa sala apresentou um resultado positivo para sangue humano. No entanto, as análises laboratoriais não conseguiram determinar a data de deposição do material, devido à degradação das amostras e às reformas realizadas ao longo dos anos.
O calendário encontrado
Em um banheiro do terceiro andar, sob várias camadas de tinta, a equipe encontrou um calendário com marcações que correspondiam aos dias 23 a 31 de outubro e 1º a 4 de novembro. A pesquisa indicou que este calendário poderia estar associado a eventos de 1970 ou 1981. Contudo, um testemunho de uma ex-presa política, que viu a inscrição em 1971, ajudou a atribuir a data ao ano de 1970.
Histórico do DOI-Codi/SP
Localizado na Rua Tutóia, na zona sul de São Paulo, o complexo do DOI-Codi/SP recebeu mais de 7 mil pessoas durante seu funcionamento, com pelo menos 52 mortes oficialmente reconhecidas. O prédio 2-a, onde se concentram as investigações, era identificado por sobreviventes como um dos principais locais de interrogatório e tortura.
Metodologia da pesquisa
A pesquisa foi parte de um projeto interinstitucional que envolveu a Unicamp e a UFMG, entre outras instituições. Para identificar os pontos de investigação, a equipe utilizou documentos históricos, testemunhos e uma análise arqueológica da arquitetura do edifício. A primeira etapa do projeto ocorreu em 2022 e incluiu escaneamento tridimensional e escavações em agosto de 2023.
Opinião
A descoberta de resíduos de sangue e um calendário no DOI-Codi/SP representa um passo importante para a compreensão dos horrores vividos durante a ditadura militar, evidenciando a necessidade de memória e justiça.





