Eleições

Lula pede votos para Jaques Wagner, sob investigação da PF, e critica Senado

Lula pede votos para Jaques Wagner, sob investigação da PF, e critica Senado

O presidente Lula pediu neste sábado (1º) votos para a reeleição do senador Jaques Wagner (PT-BA), que está sob investigação no caso Master. A solicitação ocorreu dois dias após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirar o sigilo de documentos da Polícia Federal que revelam indícios de que Wagner recebeu vantagens econômicas do grupo do Banco Master em troca de sua atuação política.

Os documentos indicam que houve ao menos 74 ligações entre Wagner e Augusto Lima, ex-sócio do banco, entre 2023 e 2025. Além disso, a investigação menciona um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador, transferências para uma empresa ligada à família do senador e o uso de aeronaves particulares.

Críticas ao Senado e Apelo por Votos

Durante a convenção estadual do PT na Bahia, Lula apresentou Wagner e Rui Costa, ex-ministro-chefe da Casa Civil, como os candidatos da chapa governista ao Senado. Ele pediu explicitamente votos para os dois, apesar da proibição da legislação eleitoral para esse tipo de manifestação antes de 16 de agosto. “Eu preciso de dois votos: neste galego [referindo-se a Wagner] e neste companheiro aqui [referindo-se a Costa]”, afirmou.

O presidente ainda elogiou a trajetória de Wagner, chamando-o de “um governador extraordinário” e criticou o “baixo nível” do Senado, afirmando que “é preciso que a gente tenha gente que tenha maturidade política, que tenha competência política”.

Desdobramentos da Investigação

A investigação da PF destaca que Wagner e Lima trocaram ligações que somaram cerca de cinco horas e meia, preferindo chamadas de voz pelo WhatsApp. Em uma das conversas, Wagner ofereceu seu gabinete no Senado como local discreto para uma reunião com dirigentes do banco.

As suspeitas incluem a possibilidade de que Wagner tenha recebido diferentes vantagens econômicas em troca de sua atuação em pautas estratégicas, como a expansão do crédito consignado e a articulação para aumentar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos.

Wagner foi alvo de buscas em 18 de junho e deixou a liderança do governo no Senado em junho de 2026. Ele foi intimado a prestar depoimento à PF em agosto de 2026 e nega as acusações, afirmando que o apartamento nunca fez parte de seu patrimônio e que as moedas estrangeiras apreendidas em endereços relacionados a ele têm origem lícita.

Opinião

A situação de Jaques Wagner gera um debate necessário sobre a ética na política e a confiança nas instituições. O apelo de Lula por votos em meio a investigações levanta questões sobre a responsabilidade dos líderes políticos.