As recentes restrições da China e da União Europeia às exportações de carne bovina do Brasil estão causando grande preocupação no setor frigorífico. Entretanto, essa situação pode trazer alívio para o consumidor nos próximos meses, com a expectativa de queda nos preços da carne nos açougues e supermercados.
Com as dificuldades para exportação, uma parte significativa da produção de carne bovina permanecerá no mercado interno. Isso, aliado a uma demanda relativamente estável, já está refletindo na redução dos preços. Em junho, o preço médio da carne bovina caiu 0,64% no varejo, conforme dados do IBGE. No atacado, o preço recuou 2,34% no mesmo período, segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/Esalq-USP).
Impacto das tarifas chinesas
Em dezembro de 2025, o governo chinês implementou uma tarifa de 55% sobre a carne bovina que exceder a cota anual, que para 2026 é de 1,1 milhão de toneladas. Antes dessa medida, a tarifa era de apenas 12% para volumes dentro da cota. Essa nova regra, que entrou em vigor em janeiro e terá duração de três anos, já levou o Brasil a preencher 80% da cota disponível até agora.
Em 2025, a China foi responsável por absorver 48% do volume total exportado pelo Brasil, totalizando 1,68 milhão de toneladas. Contudo, a expectativa é que a cota para 2026 reduza ainda mais as exportações brasileiras, afetando a rentabilidade dos pecuaristas.
Exclusão da lista de exportadores pela UE
Além das dificuldades impostas pela China, a União Europeia anunciou que retirará o Brasil da lista de exportadores aprovados a partir de 3 de setembro, devido à falta de comprovação de adequação às normas europeias sobre o uso de antimicrobianos. Essa decisão agrava ainda mais a situação do setor frigorífico brasileiro, que já enfrenta restrições severas.
A combinação dessas barreiras comerciais está pressionando o planejamento e a rentabilidade dos pecuaristas, especialmente em períodos de confinamento. O pesquisador Cícero Zanetti de Lima do Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas (FGV Agro) destacou que a redistribuição das cotas não utilizadas por países concorrentes é uma possibilidade, mas depende exclusivamente das regras estabelecidas pelas autoridades chinesas.
Expectativas para o futuro
A Associação Brasileira de Agrobusiness (Abag) alerta que a diversificação das exportações é fundamental, não para substituir a China, mas para reduzir riscos e ampliar oportunidades. No entanto, a expectativa é que as margens da cadeia produtiva se estreitem nos próximos meses, com o mercado interno não conseguindo absorver o excedente não exportado.
A perspectiva é de que os preços da carne bovina continuem a cair até outubro de 2026, quando a cota chinesa será renovada, mas a situação atual exige atenção e estratégias adequadas para enfrentar os desafios impostos por essas restrições comerciais.
Opinião
A situação do setor frigorífico brasileiro é delicada, e as ações do governo são fundamentais para garantir a competitividade e a sustentabilidade das exportações de carne.





