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Greenpeace Brasil revela como comunidades vulneráveis enfrentam crise climática

Greenpeace Brasil revela como comunidades vulneráveis enfrentam crise climática

As populações que mais sofrem com os eventos extremos da crise climática no Brasil são aquelas que encontram mais dificuldades para acessar políticas públicas e recursos de adaptação e prevenção. Contudo, as comunidades vulnerabilizadas estão criando suas próprias soluções para enfrentar as mudanças do clima. Essa é a conclusão do relatório ‘As soluções dos territórios’: Adaptação Climática Baseada em Comunidades, elaborado pelo Greenpeace Brasil com apoio do Laboratório de Estudos do Clima e do Ambiente (UERJ) e da Brisa Soluções Ambientais.

Comunidades em situação crítica

As comunidades negras, indígenas, quilombolas, periféricas e rurais estão entre as mais expostas a enchentes, secas e ondas de calor. O Greenpeace defende que as comunidades ocupem uma posição central no desenvolvimento das políticas de adaptação. A coordenadora da Frente de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Leilane Reis, ressalta a necessidade de incorporar a justiça climática e o combate ao racismo ambiental às políticas de adaptação. “Em um país marcado por desigualdades históricas de acesso à moradia, saneamento, saúde, mobilidade e infraestrutura, os impactos dos eventos extremos tendem a se concentrar justamente nos territórios que já enfrentam maior precariedade”, disse.

Casos de alagamentos e temperaturas extremas

O relatório cita que, em Recife (PE), comunidades como Ilha de Deus, Coque e Mustardinha enfrentaram alagamentos severos nos últimos anos. Em Belém (PA) e na Ilha do Marajó (PA), a combinação de enchentes, marés altas, falta de drenagem e saneamento tem afetado principalmente comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas. No Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, as temperaturas internas das moradias podem chegar a até 8°C acima da média urbana, com sensação térmica superior a 60°C, afetando especialmente crianças, idosos e mulheres.

Iniciativas locais e desafios

Em uma região afetada pela falta de saneamento básico, o Coletivo Utopia Negra se uniu à comunidade da Vila do Carmo do Maruanum, em Macapá (AP), para instalar uma fossa séptica biodigestora (FSB). Essa tecnologia, de baixo custo e adaptável para áreas alagáveis, trata o esgoto por biodigestão, evitando a contaminação do solo e da água. Na comunidade do Horto, no Rio de Janeiro, o projeto Horto Natureza inclui limpezas coletivas, plantio de árvores e educação ambiental, garantindo coleta regular de lixo e acesso a saneamento básico.

A comunidade de Vila Arraes, em Recife (PE), elaborou um plano comunitário de contingência, adaptação e mitigação dos efeitos das chuvas, coordenado pelo Espaço GRIS Solidário, em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Formações com a Defesa Civil sobre protocolos de emergência durante enchentes do Rio Capibaribe também foram realizadas.

Dificuldades de acesso a recursos climáticos

Um dos principais obstáculos enfrentados pelas comunidades é a dificuldade de acesso aos recursos destinados à agenda climática. Segundo o Greenpeace, a maior parte dos recursos é distribuída por meio de instrumentos de crédito, o que dificulta o acesso por comunidades e organizações locais. O relatório também destaca a burocracia envolvida na elaboração, submissão, gestão e prestação de contas de projetos.

“Ampliar a adaptação climática exige, portanto, não apenas aumentar o volume de recursos, mas mudar a forma como eles são distribuídos, garantindo acesso direto às comunidades e fortalecendo iniciativas que já funcionam nos territórios”, afirmou o porta-voz da Frente de Justiça Climática do Greenpeace Brasil, Rodrigo Jesus. Ele acrescenta que as comunidades que vivem diariamente os efeitos da crise climática já acumulam conhecimento, práticas e soluções capazes de orientar políticas públicas mais eficazes e justas.

Opinião

O reconhecimento do protagonismo das comunidades vulneráveis é essencial para o desenvolvimento de políticas públicas que realmente atendam às necessidades locais e enfrentem a crise climática de forma eficaz.