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Mestra Fatinha celebra 70 anos com 5º Encontro dos Jongos e resistência cultural

Mestra Fatinha celebra 70 anos com 5º Encontro dos Jongos e resistência cultural

Os festejos dos 70 anos de Maria de Fátima da Silveira Santos, a Mestra Fatinha, estão entrelaçados à comemoração do Dia Estadual do Jongo, com a realização do 5º Encontro dos Jongos do Vale do Café, no Parque das Ruínas de Pinheiral, no sul fluminense. O evento ocorrerá neste sábado, 25 de novembro de 2023, e reunirá 450 lideranças de 18 quilombos e comunidades tradicionais de jongo dos estados do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Para a matriarca, essa reunião reafirma a cultura dos ancestrais e ocorre em um local simbólico. Nas duas áreas do Parque cedidas pela Prefeitura de Pinheiral, a organização Centro de Referência de Estudo Afro do Sul Fluminense (Creasf) vem desenvolvendo atividades para levar adiante suas origens. O local também abriga a memória de São José dos Pinheiros, uma das maiores fazendas de café na época do Brasil colônia, onde viveram mais de 3 mil negros escravizados.

“A gente herdou essa tradição deles, e a gente mantém. São vários núcleos de jongueiros de várias famílias”, explica Mestra Fatinha.

Resistência Cultural

Nos 70 anos de vida, Mestra Fatinha dedicou 50 anos à luta pela preservação da cultura negra na região do Vale do Café. “O jongo é a verdadeira bandeira de luta do povo preto, porque os negros escravizados usavam o jongo para se organizar, namorar, cantar a saudade da África, para cultuar os orixás”, destaca.

O movimento negro entre o Rio e São Paulo era forte no final dos anos 80 e início dos anos 90, período em que a matriarca iniciou sua militância no Clube Palmares, o único clube social de negros do estado do Rio. “Meus pais e avós sempre foram muito conscientes do que é ser negro nesse país”, acrescenta.

Reconhecimento e Certificação

A luta de Mestra Fatinha resultou em reconhecimento acadêmico. “Ano passado, a Universidade Federal Fluminense me concedeu o título de notório saber. Já estou dentro da UFF há mais de 10 anos fazendo Encontros de Saberes”, explica. Além disso, a Fundação Palmares certificou a região como comunidade quilombola, um passo importante para dar visibilidade à cultura local.

Em 2005, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu o Jongo como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. Essa manifestação cultural é preservada por descendentes de pessoas escravizadas de origem Bantu, especialmente do Congo, Angola e Moçambique.

Programação do Evento

O 5º Encontro de Jongos do Vale do Café é uma realização conjunta do Jongo de Pinheiral, Rede de Jongo do Vale do Café, Instituto Floresta, e outros parceiros. A programação continua no dia 26, com a celebração do Dia de Sant’Ana e do Dia Estadual do Jongo, incluindo uma procissão tradicional.

Opinião

O evento não apenas celebra a cultura, mas também reforça a importância da resistência e da memória coletiva das comunidades quilombolas.