Economia

Uber Mulher amplia alcance, mas participação feminina entre motoristas despenca

Uber Mulher amplia alcance, mas participação feminina entre motoristas despenca

A expansão nacional do Uber Mulher responde a uma demanda evidente por segurança, mas também revela uma tensão oculta no mercado de mobilidade por aplicativos. Apesar do crescimento do setor, a participação feminina entre motoristas caiu de 11,53% em 2024 para 10,61% em 2026, evidenciando um desequilíbrio persistente de gênero.

No segmento de delivery, o cenário é ainda mais restritivo, com a presença feminina inferior a 6% ao longo do período, variando de 5,55% para 5,76%. Essa variação não indica um crescimento, mas sim uma estabilidade em patamares reduzidos, já que mulheres representam cerca de 11% dos motoristas e 6% dos entregadores no Brasil.

Desafios para Mulheres no Setor

O comportamento do mercado sugere que o desafio não reside apenas na expansão do setor. A economia de aplicativos cresce e se diversifica, mas não altera significativamente a composição de quem opera na ponta. As atividades que exigem alta exposição nas ruas, jornadas extensas e renda variável impõem custos desproporcionais para as mulheres, especialmente em contextos urbanos marcados por insegurança e desigualdade na divisão do cuidado.

O resultado é um mercado que admite a presença feminina, mas não a expande. Iniciativas voltadas ao público feminino, como o Uber Mulher, são importantes, mas ainda insuficientes. Elas atendem à experiência da usuária, mas não resolvem a estrutura da oferta, criando um desalinhamento entre a sofisticação crescente dos serviços e a rigidez do perfil de quem os executa.

O Futuro da Mobilidade

Enquanto essa distância persistir, a participação feminina tende a continuar orbitando os mesmos patamares. O debate sobre mobilidade, nesse contexto, deixa de ser apenas sobre acesso e passa a ser, sobretudo, sobre as condições que definem quem consegue permanecer nesse mercado.

Opinião

A situação atual evidencia a necessidade de iniciativas mais robustas que não apenas promovam a inclusão, mas que também abordem as barreiras estruturais que limitam a permanência das mulheres no setor.