Futebol

Fifa ignora alerta de Fifpro e especialistas sobre pausas na Copa 2026

Fifa ignora alerta de Fifpro e especialistas sobre pausas na Copa 2026

Em agosto de 2022, o Fifpro, sindicato internacional de jogadores, apresentou um estudo em parceria com a federação de futebol de Portugal, destacando como o calor extremo afeta o desempenho dos atletas. Na ocasião, o sindicato reforçou uma recomendação à Fifa para que modificasse suas diretrizes visando a proteção da saúde dos jogadores.

Em maio de 2023, um grupo de 21 especialistas em medicina do esporte, saúde pública e ciência do clima enviou uma carta aberta à Fifa, reiterando que as diretrizes para calor da entidade eram inadequadas e colocavam os atletas em risco durante a Copa do Mundo.

Pausas obrigatórias e controvérsias

Com o início da Copa 2026, as duas pausas obrigatórias de hidratação de três minutos cada se tornaram um dos principais pontos de controvérsia, gerando críticas de treinadores, jogadores e torcedores, ao mesmo tempo em que receberam elogios de alguns técnicos.

Estima-se que a implementação dessas pausas resulte em 208 novas janelas publicitárias durante os 104 jogos do torneio. A Fifa, ao instituir a pausa, ignorou as recomendações tanto do Fifpro quanto dos especialistas, que argumentam que as pausas devem ser aplicadas somente quando necessário, e não de forma obrigatória.

Críticas ao parâmetro da Fifa

Os especialistas, incluindo o fisiologista Douglas Casa, professor emérito da Universidade de Connecticut e signatário da carta, criticaram o parâmetro da Fifa para calor, afirmando que é totalmente inadequado. O índice WBGT (Índice de Bulbo Úmido Termômetro de Globo), que considera temperatura, umidade, vento e radiação solar, deveria ser utilizado para determinar a necessidade de pausas.

Os limites de segurança do WBGT, adaptados para atletas, sugerem que a pausa de hidratação deve ser considerada apenas quando a temperatura ultrapassar 26°C ou 28°C. Além disso, para que a pausa seja eficaz, deveria durar entre 5 a 6 minutos, segundo Casa.

Opinião

A Fifa, ao anunciar as pausas, argumentou que o calendário de jogos foi elaborado para minimizar deslocamentos e maximizar o descanso das seleções. No entanto, a controvérsia em torno das pausas obrigatórias continua, levantando questões sobre a saúde e o desempenho dos atletas durante a competição.

Opinião

A decisão da Fifa de implementar pausas obrigatórias, ignorando alertas de especialistas, pode comprometer não apenas a saúde dos jogadores, mas também a integridade do torneio.