O educador físico brasiliense Loeh da Silva Araújo, de 32 anos, homem trans, está à frente de um importante projeto que promove a inclusão de pessoas trans no esporte. Em Brasília, no dia 28 de junho de 2026, durante a celebração do Dia do Orgulho LGBTQIA+, ele destacou a importância do projeto ‘Instituto Menines Bons de Bola’, que reúne pessoas trans masculinas e femininas para jogar futebol em espaços públicos.
Com 150 pessoas já inscritas, o projeto não se limita apenas ao esporte. Loeh enfatiza que “é muito mais do que futebol”. Ele menciona a importância das interações sociais que ocorrem durante os encontros, onde os participantes têm a oportunidade de cuidar da saúde mental e se sentirem menos solitários.
Visibilidade e saúde mental
O coordenador do núcleo trans do grupo ativista Estruturação, Ceu Otaviano, de 37 anos, reforça que a exclusão de pessoas trans em práticas esportivas é um problema sério. Ele acredita que o futebol pode ser uma ferramenta poderosa para melhorar a saúde mental dessa comunidade. “O projeto do futebol ajuda na saúde mental de muitas pessoas”, afirma Ceu.
Entre os participantes, a lojista Mayura Kali, de 24 anos, expressou seu desejo de ter mais tempo para se dedicar ao esporte, mas mesmo com uma rotina intensa de trabalho, ela encontra no futebol um espaço de alívio e alegria. “No futebol, posso ter conversas que não tenho no trabalho”, compartilha.
A autônoma Lilith Lunar, de 25 anos, também destacou a importância dos encontros, que fortalecem as relações e ajudam a enfrentar as dificuldades do dia a dia. “Esses encontros que nos proporcionamos nos fortalecem para o dia a dia da vida da gente, que é tão difícil”, diz Lilith.
Espaços seguros e acolhedores
O professor Loeh lamenta que muitos participantes relatem experiências negativas em aulas de educação física, onde quadras e vestiários eram vistos como espaços de violência. Ele acredita que é essencial escolher ambientes que promovam a construção de relações saudáveis e que blindem os participantes de agressões e bullying. “Piadinhas ou apelidos não autorizados são proibidos na nossa atividade”, enfatiza.
O projeto também é um espaço de celebração e diversão, onde a população pode viver plenamente. Daymon Luiz, de 27 anos, pai de uma menina de três anos, também participou da celebração do Dia do Orgulho LGBTQIA+. Ele leva sua filha para o futebol e espera que ela cresça em um mundo mais inclusivo. “Espero que, quando ela crescer, o mundo seja bem melhor”, conclui.
Opinião
O projeto liderado por Loeh da Silva Araújo é um exemplo de como iniciativas comunitárias podem transformar vidas e promover a inclusão, mostrando que o esporte é uma poderosa ferramenta de união e fortalecimento social.





