O candidato autodeclarado antissistema Abelardo De La Espriela venceu neste domingo o segundo turno da eleição presidencial da Colômbia, consolidando uma guinada à direita em meio ao crescente descontentamento com a insegurança e a economia. Apoiado pelo presidente americano, Donald Trump, o advogado de 47 anos, sem experiência política, derrotou o senador esquerdista Iván Cepeda em uma das disputas mais apertadas da história recente do país.
Com 99,65% das urnas apuradas, Espriella obteve 49,65% dos votos, uma vantagem de menos de um ponto percentual sobre o adversário, que teve 48,7%. A posse está marcada para 7 de agosto. A vitória de Espriella representa uma ruptura com a agenda de Gustavo Petro, o primeiro presidente de esquerda da história da Colômbia.
Promessas e Desafios
Enquanto Cepeda defendia a continuidade do projeto político do atual governo e a manutenção das negociações com grupos armados, Espriella prometeu abandonar o diálogo e enfrentar a violência com a “força das armas”. Petro contestou os resultados, afirmando que apenas o resultado final poderá definir o novo líder do país. Ele pediu tranquilidade à população, ressaltando que a realidade mostra um país dividido.
Apelidado de “El Tigre”, Espriella fez da segurança pública o eixo central de sua campanha, prometendo construir “megaprisões” e reduzir impostos. Ele também afirmou que preservará medidas populares implementadas por Petro, como o reajuste de 23% do salário mínimo.
Contexto de Violência
A eleição ocorreu uma década após a assinatura do histórico acordo de paz com as Farc, mas em um contexto de recrudescimento da violência. As autoridades registraram 14.780 homicídios no ano passado, o maior número desde 2015, e os casos de extorsão mais do que dobraram em relação a uma década atrás.
Espriella retratou Petro e Cepeda como aliados de criminosos, enquanto Cepeda criticou a atuação de Espriella como advogado de pessoas ligadas a grupos paramilitares de direita. O triunfo de Espriella também reforça a guinada à direita na América do Sul, onde países como Argentina, Chile e Equador elegeram presidentes de direita.
Opinião
A vitória de Espriella poderá trazer mudanças significativas, mas os desafios à frente são imensos, especialmente em um país marcado pela polarização e pela violência.





