A iminência de uma eleição no Brasil, com Flávio Bolsonaro como um dos favoritos, tem chamado a atenção em Pequim. A China avalia os riscos de um governo Flávio, que já demonstrou alinhamento com o governo Trump, o que pode impactar as iniciativas de desdolarização no comércio entre os dois países.
Desde 2009, a China é a maior compradora de produtos brasileiros, dominando commodities como soja, petróleo e minério. Em 2025, o Brasil recebeu mais investimentos da China do que qualquer outro país. Apesar disso, executivos de empresas chinesas e diplomatas acreditam que o comércio e os investimentos não seriam diretamente afetados por um governo Bolsonaro.
O que preocupa Pequim são os possíveis ruídos semelhantes aos da gestão de Jair Bolsonaro, que podem resultar em um recuo nas iniciativas institucionais. Um ponto crítico é a integração financeira, que foi fortalecida com a criação de uma câmara de compensação de moedas no governo Lula. Essa câmara permite negócios e empréstimos sem o uso do dólar, possibilitando a conversão direta entre o real e o yuan.
A primeira transação em yuan ocorreu em outubro de 2023, quando a Eldorado Celulose realizou um negócio financiado em yuan e convertido para real. Empréstimos em moeda local devem ser anunciados em junho de 2024, marcando a emissão dos chamados ‘panda bonds’ pelo Tesouro Nacional.
A China também adiou a visita do vice-presidente Han Zheng ao Brasil, o que poderia atrasar a Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação, criada no governo Lula. Essa decisão reflete um clima de incerteza em meio às eleições brasileiras.
Flávio Bolsonaro, em sua visita à Casa Branca em maio de 2023, reforçou a percepção de que sua gestão poderia ser totalmente alinhada aos Estados Unidos. Declarações como a de que Lula estaria abrindo o Brasil como uma “colônia chinesa” geraram apreensão entre empresas chinesas, que temem novas tensões, como as que marcaram a gestão de Jair Bolsonaro.
Apesar das crises passadas, a China manteve-se como o maior parceiro comercial do Brasil durante a gestão anterior. A relação entre os dois países é considerada sólida e consolidada, independentemente da ideologia dos governantes, segundo especialistas.
Opinião
A relação Brasil-China é essencial para o futuro econômico do país, e a postura de Flávio Bolsonaro pode influenciar essa dinâmica de forma significativa.





