Economia

EUA ameaçam Brasil com tarifa de 25% após investigação sobre etanol

EUA ameaçam Brasil com tarifa de 25% após investigação sobre etanol

A disputa pelo mercado de etanol entre Estados Unidos e Brasil se intensifica com a investigação da Seção 301 da legislação comercial americana, que ameaça impor uma tarifa de 25% sobre o biocombustível brasileiro. O Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) acusa o Brasil de dificultar a entrada do etanol americano ao impor uma taxa de 18%, enquanto a indústria sucroalcooleira brasileira defende que a taxação é uma prática comum e que os EUA também aplicam tarifas sobre o açúcar brasileiro.

Histórico do Etanol no Brasil e EUA

A briga pelo etanol não é recente. O Proálcool, iniciado em 1975, buscou substituir a gasolina utilizando a cana-de-açúcar, enquanto nos EUA o Clean Air Act de 1970 impulsionou o uso de etanol para melhorar a qualidade do ar. Desde 2006, a produção de etanol nos EUA superou a do Brasil, que até então era o maior produtor mundial.

Barreiras Comerciais e Protecionismo

Os EUA mantêm barreiras comerciais, incluindo uma tarifa mínima de 2,5% sobre o etanol brasileiro e um subsídio de US$ 0,54 por galão para a produção interna. Essa proteção foi estabelecida para evitar a concorrência do etanol brasileiro, considerado um produto que poderia corromper os objetivos da política americana.

As Mudanças Desde 2017

Em 2017, o Brasil instituiu uma cota de 600 milhões de litros de etanol americano sem imposto, mas qualquer volume adicional passou a ser taxado em 20%. Essa decisão é vista pelos EUA como uma violação das regras comerciais, justificando a investigação e a ameaça de tarifas.

Interesses Políticos e Lobby

O cenário é ainda mais complicado devido aos poderosos lobbies em ambos os países. Os estados americanos do Cinturão do Milho, que são fundamentais para o lobby a favor do etanol, influenciam diretamente a política comercial dos EUA. No Brasil, o programa Combustível do Futuro também é uma resposta às demandas do setor sucroalcooleiro.

Opinião

A crescente tensão entre Brasil e EUA sobre o etanol reflete não apenas uma disputa comercial, mas também interesses políticos e econômicos que vão além do simples comércio de biocombustíveis, exigindo um diálogo mais profundo entre as nações.