O governo brasileiro está prestes a realizar sua primeira emissão de títulos de dívida pública voltados ao mercado financeiro chinês, com negociação em yuan. O anúncio oficial deve ocorrer durante a viagem do ministro da Fazenda, Dario Durigan, a Pequim e Xangai, entre 24 e 26 de junho de 2026.
A operação, planejada pelo Tesouro Nacional há dois anos, tem como objetivo diversificar as fontes de financiamento da dívida externa do Brasil, atualmente composta por apenas 3,8% de títulos externos, com a meta de elevar essa participação para 7% ao longo da próxima década.
Estudos e estratégia de diversificação
Os estudos para a emissão em yuan começaram em 2024, conforme mencionado no Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2024. O Tesouro Nacional já havia indicado a intenção de alinhar suas ações às melhores práticas de gestão de dívida e considerar emissões em outras moedas.
O uso de “panda bonds”, que são títulos emitidos em moeda chinesa, visa não apenas diversificar o perfil da dívida, mas também criar uma referência para empresas brasileiras que queiram realizar operações semelhantes. O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, destacou que a medida é parte de uma estratégia mais ampla de diversificação das fontes de financiamento do governo.
Riscos e pressões externas
Entretanto, a emissão de títulos em yuan traz riscos, principalmente o risco cambial. O governo arrecada impostos em reais, mas terá obrigações em yuan, o que pode aumentar o custo efetivo se a moeda chinesa se valorizar frente ao real. Além disso, o mercado em yuan possui menor liquidez em comparação ao dólar.
Essa movimentação ocorre em um contexto de pressão dos Estados Unidos sobre o Brasil, que enfrenta a possibilidade de tarifas adicionais de até 25% sobre produtos exportados, devido a uma investigação sobre práticas comerciais consideradas desleais. A decisão sobre essas sanções deve ser anunciada até 15 de julho.
Opinião
A emissão de títulos em yuan representa um passo importante na diversificação da dívida brasileira, mas deve ser acompanhada de perto devido aos riscos cambiais e à pressão geopolítica que o Brasil enfrenta.





