Representantes do agronegócio brasileiro estão criticando a lentidão do governo Lula em reverter o bloqueio da União Europeia (UE) à entrada de carne bovina e outros produtos de origem animal a partir de setembro de 2026. O embargo foi oficializado na semana passada, quando a UE divulgou a lista de países autorizados a exportar esses produtos, excluindo o Brasil.
A proibição não se limita apenas à carne bovina, mas também inclui carne de aves, equídeos, pescados e subprodutos como tripas, ovos e mel. Essa decisão é baseada na falta de informações que comprovem o cumprimento das exigências sanitárias relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal.
Paraná e a produção de carne de frango
O Paraná, que responde por 34% da produção nacional de carne de frango, está preocupado com as consequências do bloqueio. As exportações que podem ser proibidas somaram US$ 235 milhões em 2025. O presidente do Sistema da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Eduardo Meneguette, destacou que é inadmissível que o setor agro seja ameaçado por falta de agilidade do governo federal.
O Paraná é reconhecido como área livre de febre aftosa sem vacinação desde 2021, e a Faep argumenta que o embargo não reflete o status sanitário da pecuária nacional.
Críticas à falta de ação do governo
A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) também criticou a falta de coordenação do governo em responder às exigências da UE. Em nota técnica, a Farsul afirmou que a proibição não foi uma surpresa, mas sim uma falha de coordenação do Brasil.
O ex-ministro da Agricultura, Antonio Cabrera, atribuiu o bloqueio à incompetência do governo, afirmando que a diplomacia brasileira não foi proativa em responder às exigências sanitárias.
Reações de líderes políticos
O ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, também criticou a falta de resposta do governo, chamando a situação de desmoralização para o Brasil. Ele apontou falhas burocráticas no Ministério da Agricultura que contribuíram para a oficialização do embargo.
Desafios para o Brasil no cenário internacional
A advogada Ieda Queiroz alertou que o Brasil corre o risco de perder competitividade internacional se não demonstrar o cumprimento das regras sanitárias exigidas. A União Europeia exige evidências de conformidade, e a falta de comprovação pode afetar a credibilidade global do país.
Diálogo em andamento com a UE
O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) foi questionado sobre as críticas, mas não respondeu. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que mantém diálogos com as autoridades europeias, mas não divulgará detalhes das negociações.
Opinião
A situação revela a necessidade urgente de uma resposta mais ágil e eficaz do governo brasileiro para proteger o setor agro e garantir a competitividade no mercado internacional.




