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Ministério do Trabalho resgata mulher de 62 anos após 49 anos de escravidão em SP

Ministério do Trabalho resgata mulher de 62 anos após 49 anos de escravidão em SP

Uma operação realizada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em conjunto com o Ministério Público do Trabalho (MPT), resultou no resgate de uma trabalhadora doméstica de 62 anos em Bragança Paulista (SP), no dia 10 de junho de 2026. A mulher, que trabalhou para a mesma família desde os 12 anos, passou 49 anos em condições análogas à escravidão, enfrentando jornada exaustiva, isolamento social e privação de direitos desde a infância.

Condições de Trabalho Desumanas

A fiscalização revelou que a trabalhadora foi retirada da escola ainda na infância e permaneceu analfabeta. Desde 1977, ela exerceu atividades domésticas diárias, sem folgas ou férias. Mesmo com a carteira de trabalho assinada por um período, não tinha autonomia sobre seus rendimentos e, após se aposentar em 2015, deixou de receber qualquer pagamento, mas continuou a trabalhar ininterruptamente.

Isolamento e Controle Psicológico

A situação se agravou nos últimos anos, quando a trabalhadora passou a cuidar integralmente da empregadora, que era idosa e acamada. Isso resultou em privação de sono e comprometeu sua saúde física e mental. A fiscalização constatou que ela viveu praticamente sem vida social ou familiar, sem constituir família ou participar de atividades sociais. O isolamento era reforçado por mecanismos de coerção psicológica, levando-a a acreditar que sua saída poderia resultar na morte da empregadora.

Providências Legais e Valores Devidos

Após a identificação das condições análogas à escravidão, a Inspeção do Trabalho determinou o afastamento imediato da trabalhadora. Uma planilha de cálculos rescisórios foi elaborada, totalizando R$ 1.756.545,16, incluindo verbas salariais, férias e indenização por dano moral. O pagamento, previsto para o dia 11 de junho, não foi realizado, e o MTE e o MPT estão em tratativas com os representantes legais da família para a quitação dos valores devidos.

Denúncias e Responsabilidade

O caso destaca a importância de denúncias sobre trabalho análogo ao de escravo, que podem ser feitas de forma anônima pelo Sistema Ipê, lançado em 2020. O MTE ressalta que, conforme a legislação brasileira, não apenas o titular formal da relação de trabalho, mas também outros integrantes da família que se beneficiaram do trabalho prestado poderão ser responsabilizados solidariamente.

Opinião

O resgate dessa trabalhadora é um alerta sobre a persistência da exploração laboral e a necessidade de vigilância e ação efetiva para garantir direitos fundamentais a todos os trabalhadores.