O Brasil corre o risco de se tornar dependente de plataformas estrangeiras se não investir em modelos próprios. O alerta foi feito por Ronaldo Lemos, membro do Conselho de Supervisão da Meta, durante um debate com o chefe de Políticas Públicas da OpenAI para a América Latina, Bruno Lewicki, no Web Summit Rio, realizado no dia 9 de outubro.
Para Lemos, o maior risco não está na falta de regulação, mas na ausência de uma política industrial que desenvolva capacidade local. Sem isso, o país ficará refém de plataformas de empresas como OpenAI e Anthropic, dos Estados Unidos, ou DeepSeek e Alibaba, da China. “O objetivo da regulação no Brasil é que a gente não dependa da OpenAI, nem da Anthropic, nem das chinesas. Nesse sentido, temos que abraçar o modelo open source”, disse o advogado.
Lemos lembrou que o Brasil tem uma longa tradição em software livre, o que demonstra que os desenvolvedores brasileiros possuem o perfil técnico e a cultura colaborativa necessários para liderar essa agenda. “Temos que abraçar os modelos open source e olhar para esses modelos para podermos retreiná-los, dar a eles capacidades locais, e tropicais, por que não dizer? E isso os nossos desenvolvedores podem fazer como ninguém”, pontua.
Desafios e Oportunidades
Durante o painel, Bruno Lewicki destacou que o Brasil já é o terceiro maior mercado mundial em número de usuários e o segundo maior em número de usuários desenvolvedores das ferramentas da OpenAI. No entanto, Lemos apontou que o consumo sem produção local não resolve o problema estrutural. O analfabetismo funcional também foi destacado como uma barreira significativa. Dados do INAF (Indicador de Alfabetismo Funcional) revelam que apenas 10% dos brasileiros têm domínio pleno do português, limitando o acesso e os benefícios de qualquer modelo de IA, aberto ou não.
Como referência de política pública, Lemos citou o Vietnã, que cresceu 8% em 2024, tornou-se um grande exportador de tecnologia e construiu uma legislação de IA focada em independência tecnológica. “A gente não precisa copiar ninguém. Podemos fazer uma lei brasileira de inteligência artificial que seja exemplo para o mundo todo”, afirma.
Opinião
A discussão sobre o modelo open source é crucial para o futuro da tecnologia no Brasil, e a visão de Lemos pode ser um passo importante para a independência tecnológica do país.





