A 1ª Vara Federal de Corumbá condenou oito pessoas por envolvimento em um esquema criminoso que promovia a migração ilegal de haitianos na fronteira do Brasil com a Bolívia. As penas variam de três a 11 anos de prisão, refletindo a gravidade das ações do grupo.
De acordo com a Justiça Federal, o grupo atuou entre outubro e dezembro de 2021, transportando clandestinamente migrantes para o país vizinho, visando lucro. As operações eram coordenadas e repetidas, configurando um crime continuado. Os acusados foram presos durante a Operação Fom’Ale II, realizada em dezembro de 2021 pela Polícia Federal, que resultou no cumprimento de cinco mandados de prisão preventiva e oito de busca e apreensão.
Esquema de travessia
A investigação revelou que os criminosos utilizavam a Trilha do Gaúcho como ponto de travessia. Os migrantes, incluindo crianças e mulheres grávidas, pagavam até 150 dólares por pessoa para serem atravessados de forma ilegal. Os ‘coiotes’, responsáveis por guiar os migrantes, eram auxiliados por ‘carregadores’ bolivianos, que mostravam o caminho e ajudavam no transporte das malas, cobrando valores abusivos.
O esquema contava com uma divisão de tarefas: alguns membros captavam migrantes na rodoviária, enquanto outros realizavam o transporte até casas de passagem e a fronteira. Havia também responsáveis pela hospedagem e articulação com atravessadores bolivianos. Em algumas ocasiões, os ‘coiotes’ abandonaram haitianos no meio da rua ao perceberem a aproximação da polícia.
Sentença e exploração de migrantes
O juiz federal substituto, Rubens Petrucci Junior, ao proferir a sentença, destacou a exploração econômica sistemática de migrantes em situação de vulnerabilidade e os riscos associados às travessias clandestinas. Ele registrou que a atividade cruzava a fronteira Brasil-Bolívia, com acordos e pagamentos envolvendo bolivianos e operações até o Chile.
O conjunto de provas, que incluiu depoimentos e monitoramentos, evidenciou a atuação coordenada do grupo, resultando na condenação pelos crimes de promoção de migração ilegal e organização criminosa, conforme a denúncia do Ministério Público Federal (MPF).
Opinião
A condenação dos envolvidos é um passo importante no combate à exploração de migrantes e à promoção de migração ilegal, mas destaca a necessidade de políticas mais eficazes para proteger aqueles em situação de vulnerabilidade.





