A recomendação do Escritório de Comércio dos Estados Unidos para que o Brasil seja sancionado com tarifas comerciais e a classificação do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas não significa interferência de Donald Trump no processo eleitoral brasileiro, segundo Christopher Garman, diretor da Eurasia para as Américas.
Garman acredita que a verdadeira interferência virá com um endosso formal de Trump à candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O especialista destaca que as ações atuais estão mais ligadas às eleições congressuais nos Estados Unidos, marcadas para novembro de 2023, onde o Partido Republicano enfrenta desvantagens.
Estratégia Eleitoral e Conflitos
De acordo com Garman, a Casa Branca deverá voltar sua atenção para a América Latina após resolver a guerra com o Irã, como parte de uma estratégia mais ampla para validar as políticas de Trump em relação à imigração. Ele ressalta que vincular ações ao combate ao narcotráfico reforça a mensagem do governo americano aos eleitores.
Os Estados Unidos já classificaram como terroristas facções de seis países, incluindo México, Haiti, Colômbia, Venezuela, Equador e El Salvador, sendo que os dois últimos são aliados incondicionais da Casa Branca. Garman observa que as repercussões econômicas dessa classificação foram menores do que as esperadas para o Brasil.
Possíveis Sanções e Relações Bilaterais
As sanções no âmbito da Seção 301, que podem incluir o Pix, não estariam diretamente ligadas à situação política brasileira, mas fazem parte de uma estratégia global dos Estados Unidos. A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos sobre tarifas, que impede tarifas generalizadas sem aprovação do Congresso, também influencia essa situação.
Garman alerta que o Brasil pode enfrentar um tratamento pior que outros países devido à dureza do governo Lula nas negociações. Ele menciona que o uso da Seção 301 como retaliação está em discussão desde julho e se tornou mais provável após a decisão da Suprema Corte. Apesar disso, o governo brasileiro não fez as concessões esperadas pelos Estados Unidos.
Opinião
O cenário político atual e as possíveis sanções podem criar um ambiente desafiador para o governo brasileiro, exigindo uma postura mais proativa nas negociações internacionais.





