Economia

Governo exige que empresas mapeiem riscos psicológicos após aumento de burnout

Governo exige que empresas mapeiem riscos psicológicos após aumento de burnout

Desde 26 de maio de 2026, as empresas no Brasil tornaram-se oficialmente responsáveis por prevenir riscos psicológicos no trabalho. A nova regra, que atualiza a Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), exige que as companhias realizem o mapeamento de riscos, como metas abusivas e sobrecarga, com o objetivo de conter a crescente incidência de casos de burnout.

Obrigações das empresas

A atualização da NR-1 inclui fatores psicossociais, como pressão excessiva, assédio e falta de autonomia, no Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR) das empresas. Isso transforma a saúde mental de uma iniciativa de bem-estar em uma obrigação legal, sujeita a fiscalização governamental.

Aumento preocupante de afastamentos

O governo decidiu implementar essa fiscalização devido ao alarmante aumento nas licenças médicas. Entre 2021 e 2024, as licenças por burnout cresceram quase 500%. Atualmente, os transtornos de ansiedade e depressão são os principais motivos de afastamento pelo INSS, evidenciando que o modelo de gestão em muitas empresas está esgotando os trabalhadores.

Período de fiscalização orientativa

A nova regra já está em vigor, mas o Ministério do Trabalho estabeleceu um período de 90 dias para fiscalização orientativa, sem aplicação de multas. Durante esse tempo, os auditores realizarão visitas para notificar e orientar as empresas sobre correções necessárias.

Críticas do setor empresarial

Entidades como a Fiesp têm criticado a norma, questionando sua subjetividade. A falta de critérios técnicos claros para definir um ambiente psicologicamente inadequado gera insegurança jurídica e pode resultar em um aumento de processos na Justiça do Trabalho.

Opinião

A nova norma representa um avanço na proteção da saúde mental no ambiente de trabalho, mas sua implementação deve ser acompanhada de critérios claros para evitar inseguranças para as empresas.