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Ministério Público de SP deflagra operação e investiga seis fintechs por lavagem do PCC

Ministério Público de SP deflagra operação e investiga seis fintechs por lavagem do PCC

O Ministério Público de São Paulo (MPSP) deflagrou, nesta quinta-feira (28), a operação Fluxo Oculto, que investiga o uso de fintechs pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) para lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas e armas. Esta ação é um desdobramento da operação Carbono Oculto, realizada em agosto de 2025, que revelou um esquema bilionário de fraude em combustíveis ligado à facção.

A nova fase da investigação foca em seis fintechs que teriam movimentado cerca de R$ 26 bilhões do PCC entre 2022 e 2024. As empresas, que ainda não tiveram seus nomes divulgados, foram supostamente utilizadas para compensações financeiras internas entre distribuidoras e postos de combustíveis, além de pagamentos a colaboradores e gastos pessoais dos principais operadores do crime.

Segundo o MPSP, as fintechs se tornaram um duto do crime organizado para a lavagem de dinheiro, operando com pouca transparência. Durante a operação Carbono Oculto, as investigações descobriram que o PCC possuía R$ 30 bilhões investidos em 40 fundos geridos por fintechs da Faria Lima.

Investigações e Apreensões

A Receita Federal identificou R$ 365 milhões em criptoativos suspeitos de irregularidades e informou que três das fintechs alvos da operação não prestaram contas sobre seus investimentos, o que se tornou obrigatório após a operação anterior. Outras três fintechs declararam movimentações de cerca de R$ 8 bilhões entre janeiro e dezembro de 2025, levantando suspeitas de operações irregulares.

A operação cumpre um total de 55 mandados de busca e apreensão em cinco estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná e Mato Grosso do Sul. A ação é realizada em conjunto com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Receita Federal, a Agência Nacional de Petróleo (ANP), e outras instituições.

Desvio de Combustíveis

Além das fintechs, a operação também investiga o desvio de nafta petroquímica para abastecimento irregular de postos de combustíveis na Grande São Paulo. Durante a operação anterior, foi descoberto que o PCC utilizava um esquema sofisticado para adulterar combustíveis, movimentando cerca de R$ 52 bilhões ao longo de quatro anos.

Os investigadores afirmam que o foco da operação é rastrear novas conexões e interromper os mecanismos que garantem o fluxo de dinheiro das facções criminosas no país.

Opinião

A operação Fluxo Oculto destaca a necessidade urgente de maior vigilância e regulamentação no setor financeiro, especialmente em relação às fintechs, que podem ser vulneráveis ao uso por organizações criminosas.