Política

Movimentos Sociais Denunciam Crise na Saúde do DF Antes da 18ª Conferência Nacional

Movimentos Sociais Denunciam Crise na Saúde do DF Antes da 18ª Conferência Nacional

O Encontro Estadual de Saúde do Distrito Federal, realizado no dia 19 de maio, trouxe à tona a grave crise que o sistema de saúde enfrenta, em preparação para a 18ª Conferência Nacional de Saúde. Durante o evento, lideranças de movimentos sociais, trabalhadores e usuários do SUS debateram os desafios e prioridades para a saúde pública na região.

Desafios na Saúde Pública

O diagnóstico apresentado revelou que o DF ocupa a última posição em cobertura de saúde bucal e a penúltima em cobertura de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) no Brasil. Apesar de ser uma das regiões com maior renda per capita e o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país, a saúde pública enfrenta gargalos históricos que comprometem a assistência à população.

Financiamento e Desinvestimento

O presidente do Conselho de Saúde do DF, Domingos de Brito, destacou a situação caótica da saúde, enfatizando que o governo local tem promovido um desinvestimento na rede pública, com a participação do tesouro local na saúde caindo de 50% para apenas 27%. O Fundo Constitucional do DF cresceu quase 100% em 10 anos, mas isso não se traduziu em melhorias na assistência.

Críticas ao Modelo de Gestão

Os participantes do encontro criticaram o modelo de gestão atual, que prioriza a terceirização e a dependência da iniciativa privada. Leandro Grass, sociólogo e ex-deputado, apontou que a falta de comprometimento político agrava a situação da saúde no DF. Além disso, o conselheiro nacional de saúde, Mauri Bezerra dos Santos, alertou que o SUS custa menos de R$ 7 por dia por habitante, um valor alarmante para a manutenção da saúde pública.

Atenção Primária em Crise

A Atenção Primária à Saúde é uma das mais afetadas, com cobertura de Estratégia de Saúde da Família (ESF) de apenas 26%, o menor índice entre todas as unidades federativas. Essa situação resulta em superlotação nos serviços de emergência e longas esperas para atendimento.

Recursos do Ministério da Saúde

O chefe de gabinete do Ministério da Saúde, Marcos Jonathan, anunciou que mais de R$ 50 milhões foram destinados ao DF para zerar gargalos históricos em cirurgias e exames complexos. No entanto, as falhas de planejamento local têm impedido a implementação efetiva dessas medidas.

Carta de Compromisso com o SUS

O encontro culminou com a aprovação da Carta de Compromisso do DF em Defesa do SUS do Futuro, que exige um compromisso irrevogável com o financiamento 100% público e a valorização dos profissionais de saúde. A desigualdade social e o descompasso na assistência à saúde são questões que não podem ser ignoradas.

Opinião

A crise na saúde do DF é um reflexo de decisões políticas que priorizam a terceirização em detrimento do investimento público, comprometendo o acesso à saúde de qualidade para todos.