Internacional

República Democrática do Congo enfrenta caos com surto de ebola e fuga de pacientes

República Democrática do Congo enfrenta caos com surto de ebola e fuga de pacientes

Médicos que atuam na linha de frente do combate ao ebola na República Democrática do Congo (RDC) enfrentam uma situação crítica, marcada pela escassez de suprimentos básicos e por ataques a hospitais. Na província de Ituri, onde os primeiros casos foram registrados, mais de 900 casos suspeitos de ebola foram relatados, com 101 casos confirmados e 220 mortes suspeitas até o momento.

Fuga de pacientes e ataques a hospitais

Recentemente, 18 pacientes fugiram do Hospital Geral de Referência de Mongbwalu após ataques que incluíram o incêndio de tendas montadas pela organização humanitária Médicos Sem Fronteiras. O diretor médico do hospital, doutor Richard Lokodu, destacou que a situação é alarmante, uma vez que a fuga de pacientes compromete os esforços de contenção do vírus.

A violência contra unidades de saúde não é um fenômeno novo. Durante o surto de 2018-2020, a RDC já havia registrado ataques semelhantes, resultando na morte de mais de 25 profissionais de saúde. A população local, em muitos casos, nega a gravidade da doença e busca reivindicar os corpos de vítimas, mesmo sabendo que os enterros inseguros podem aumentar a transmissão do vírus.

Respostas da OMS e da Cruz Vermelha

A Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o surto da variante Bundibugyo do ebola como uma emergência de saúde pública. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que as equipes de resposta estão “correndo atrás do prejuízo”, dado o atraso na detecção de casos.

Além disso, o surto já se espalhou para a Uganda, onde foram confirmados dois novos casos, elevando o total para sete. A situação em Ituri é preocupante, com a possibilidade de que o surto se expanda ainda mais, afetando outras áreas da RDC e países vizinhos.

Opinião

A atual crise de saúde na República Democrática do Congo evidencia a necessidade urgente de uma resposta coordenada e eficaz para combater não apenas o vírus, mas também a desinformação e a violência contra os profissionais de saúde.